Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida | SBRA

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Nova Tira-dúvidas

Graças aos avanços dos métodos de rastreamento e aos novos tratamentos em Oncologia, o futuro da paciente com diagnóstico de câncer mudou significativamente nos últimos anos. 

Contudo, apesar dos novos medicamentos e das cirurgias menos agressivas, o tratamento de alguns tipos de câncer ainda envolve o uso de quimioterapia ou radioterapia e ambos podem ser tóxicos para a função dos ovários e testículos. 

Até mesmo cirurgias mais radicais sobre as gônadas podem acabar prejudicando a produção de óvulos e espermatozoides, com impacto no aparelho reprodutivo

Por isso, manter a possibilidade de ter filhos futuramente é um aspecto muito importante para muitos pacientes ainda jovens na ocasião do diagnóstico.

Especialistas em Reprodução Humana (RA), trabalhando em conjunto com oncologistas e outras especialidades que lidam com pacientes com câncer –  como Radiologia, Mastologia, Ginecologia, Hematologia e Urologia, além da Psicologia e Enfermagem – compartilham uma área multidisciplinar da ciência chamada Oncofertilidade, que visa auxiliar os pacientes oncológicos a manterem boas chances de formar uma família futuramente.

Para que haja sucesso no processo de preservação da fertilidade, recomenda-se que haja o congelamento espermatozoides, óvulos, embriões ou tecido testicular e ovariano antes de começar o tratamento para cura do câncer. 

Dentro do processo, deve-se escolher o método mais adequado, em tempo hábil, sem prejudicar a saúde do paciente e em conjunto com o especialista responsável pelo tratamento do câncer.

Os riscos de infertilidade em pacientes com câncer são maiores conforme a idade do indivíduo avança. Isso acontece porque a quimioterapia, por exemplo, pode envelhecer o ovário em aproximadamente 10 anos e, assim, pessoas com o aparelho reprodutor feminino com idade superior a 35 anos tendem a ter mais dificuldades para preservar a fertilidade. 

A estratégia escolhida para cuidar da fertilidade depende do tipo e estágio do câncer. Quanto mais precoce o diagnóstico da doença, maior será a possibilidade de preservação da fertilidade. Cânceres em estágios avançados poderão demandar início imediato da químio ou radioterapia, podendo impossibilitar a preservação.

No entanto, para encontrar a melhor alternativa de preservação da fertilidade, é imprescindível que diante do diagnóstico de câncer, o assunto seja abordado com a equipe especializada em Oncologia e Reprodução Humana antes do início do tratamento.

Autor: Ricardo Marinho

No Brasil, a infertilidade é a segunda doença mais frequente na população adulta e acomete, aproximadamente, seis milhões de indivíduos do sexo masculino, todos os anos. 

Entre os casais que enfrentam esse problema, a infertilidade do aparelho reprodutor masculino atinge entre 20 a até 30%; quando em conjunto com a infertilidade do aparelho reprodutor feminino, esse índice sobe para 50% dos casos.

Um dado interessante a ser destacado é que essa prevalência ocorre universalmente, independentemente do país ou região analisados. 

Há uma dúvida comum nesse assunto que trata da investigação do problema. O exame de maior importância é o Espermograma. Cabe ressaltar, contudo, que esse procedimento não é, também, um teste de fertilidade: ele deve ser associado a outros testes que avaliam a função espermática. 

Em um cenário ideal, o aparelho reprodutor masculino tem a capacidade de produzir espermatozóides todos os dias, em grandes quantidades. O espermatozoide inicia sua jornada nos testículos, passando ainda por vários ductos até ser ejaculado, período esse que demora entre 75 até 90 dias para ocorrer. 

Função Espermática

Em uma explicação simples, a função espermática se traduz na capacidade que os espermatozoides têm de vencer as barreiras impostas pelo aparelho reprodutor feminino até a fecundação do óvulo. 

Assim, durante a investigação do casal com suspeita de infertilidade, é primordial que a pessoa do sexo masculino também passe por exames, uma vez que o espermatozoide é essencial para a fecundação, sendo sua quantidade, motilidade e qualidade muito importantes para o sucesso das tentativas.

Entretanto, a infertilidade do aparelho reprodutor masculino envolve, também, outros aspectos de ordem sexual, como problemas de ereção e libido (vontade de executar o ato sexual), genéticos e de ejaculação( ejaculação precoce), defeitos de condução do espermatozóides, doenças diversas do sistema reprodutor, entre outros.

Por isso, o entendimento de que ambos os parceiros devem passar por uma investigação, a fim de que o diagnóstico seja mais preciso, é primordial para que a gestação seja alcançada. 

Autores: Dr. Edson Borges e Moacir Rafael Martins Radaelli

A Reprodução Assistida (RA) teve avanços espetaculares, sobretudo na tecnologia, e é uma das áreas médicas que mais evoluem acompanhando as necessidades científicas e sociais. 

Nesse contexto, devido aos diversos segmentos com predomínio de ideologias distintas, tem se tornado praticamente impossível elaborar uma lei que contemple e beneficie completamente as pessoas que precisam recorrer à RA como método de ajuda para completar suas famílias. 

Assim, na criação de leis voltadas a uma área em tão rápida e constante atualização, as propostas que tentam engessar o seu emprego com redução da sua eficácia ou segurança estarão sempre fadadas à inaplicabilidade e ao desaparecimento. 

Mas qual é o cenário atual da Legislação sobre RA no Brasil?

Cabe considerar, sobretudo, o Art. 5o da Constituição Federal: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.

Além disso, a Lei no 9.263, de 12 de janeiro de 1996, estabelece que: “Para o exercício do direito ao planejamento familiar, serão oferecidos todos os métodos e técnicas de concepção e contracepção cientificamente aceitos e que não coloquem em risco a vida e a saúde das pessoas, garantida a liberdade de opção”.

Sob o ponto de vista ético e para orientação tanto dos profissionais como dos pacientes, o Conselho Federal de Medicina (CFM), elabora e atualiza versões da Resolução referente ao tema desde 1992. 

Nos últimos anos, com o intuito de contemplar os avanços tecnológicos e sociais da área, as revisões têm sido aplicadas a cada dois anos, em média. A última atualização é a da Resolução ]2.294/2021, que trata das normas éticas para a utilização das técnicas de Reprodução Assistida. 

Todas as demais resoluções podem ser consultadas, também, no site da SBRA ou no portal do CFM. 

É importante destacar que muitos magistrados se embasam na Resolução do CFM para os seus julgamentos e decisões, assim como outras instituições governamentais. 

A Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) promove vistorias regulares nos serviços e publica as normas e regulamentos a serem seguidos de forma rigorosa, penaliza e controla a qualidade da assistência e resultados por meio dos relatórios do Sistema Nacional de Produção de Embriões (Sisembrio), com dados anuais. 

O funcionamento dos Bancos de células e tecidos germinativos é regulado por diretrizes previstas na Resolução da Diretoria Colegiada – RDC 23/2011, na RDC 72/2016 e naa nota técnica – NT 008/2016..

Autora: Dra. Hitomi

Uma clínica de Reprodução Assistida (RA) deverá manter, em seu funcionamento, médicos que se dedicam à especialidade da Reprodução Humana, assim como uma equipe multidisciplinar composta por profissionais das áreas de Enfermagem, Embriologia, Psicoologia, Nutrição e Secretariado 

Aos pacientes, é altamente recomendável consultar o site da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), que reúne a grande maioria dos médicos que trabalham com a Reprodução Humana, para obter todas as informações sobre os especialistas e métodos utilizados.

Atendimento

Ao chegar em uma clínica, é esperado que a linha de frente seja composta por profissionais da Secretaria da unidade e que o atendimento seja acolhedor. É  desejado, ainda, que  a Secretaria e a Enfermagem da clínica transmitam as informações de maneira assertiva e com discrição a respeito de qualquer tratamento, junto com as informações médicas. 

Do ponto de vista do paciente, o que esperar de um Centro de Reprodução Humana? 

Que a unidade seja especialista na área, saiba que as pessoas estão angustiadas e à espera de soluções que tirem suas dúvidas e que seja capaz de oferecer propostas de solução para conseguir a tão sonhada gravidez. 

Cabe ao médico mostrar que não existem tratamentos milagrosos e que o processo apresenta eventuais falhas. Os profissionais da Psicologia, Biologia, Enfermagem, Clínica Médica, Secretaria, enfim, toda a equipe deve estar capacitada a trabalhar para o bem comum, ou seja, conseguir a gravidez evitando, ao máximo, o estresse decorrente do tratamento. 

Orientação

Dos profissionais de Enfermagem e Medicina é esperado, ainda, que, com confiança e simpatia, expliquem sobre as medicações prescritas e auxiliem na auto aplicação. 

Quando há dúvidas, toda a equipe de profissionais, em todos os seus níveis, deve estar pronta a esclarecê-las. Diante de um  eventual resultado negativo da tentativa de gestação, toda a equipe deve estar preparada para acolher o paciente e ajudar a encontrar novas soluções. 

Não existem fórmulas mágicas, mas existem pessoas por trás dos tratamentos cuidando de gente que precisa de atenção.

Autor: Condesmar Marcondes 

Os tratamentos atuais de Reprodução Assistida (RA) são recomendados para solucionar a maioria dos problemas de Infertilidade. Alguns deles podem ser tratados por meio de procedimentos mais simples, como a Inseminação Intrauterina (IIU); outros exigem procedimentos de alta complexidade, como a Fertilização In Vitro (FIV).

Também conhecida como Inseminação Artificial, a IIU é um procedimento de RA de baixa complexidade, no qual o sêmen devidamente preparado em laboratório é colocado dentro do útero durante o período fértil, em um momento próximo da ovulação.

Quando a gravidez ocorre naturalmente, o esperma depositado na vagina necessita caminhar através do colo uterino, em direção ao fundo do útero até atingir as trompas, local onde ocorre a fecundação, ou seja, o encontro do espermatozóide com o óvulo. 

A inseminação facilita a chegada dos espermatozóides nas trompas, promovendo o encontro dos gametas e aumentando as chances de ocorrer a gravidez. Assim, a fertilização do óvulo acontece dentro do aparelho reprodutor feminino, como no processo natural. 

A IIU pode ser feita com sêmen do parceiro ou doado.

Recomendações

A Inseminação Intrauterina é recomendada em casos ou situações que dificultam a gravidez como:

  • Infertilidade associada a distúrbios de ovulação 
  • Alterações leves do sêmen, como baixo volume ou motilidade diminuída dos espermatozóides;
  • Casos de Estenose ou outra anormalidade do colo uterino que dificulte a passagem dos espermatozóides (como ocorre, por exemplo, após cirurgia do colo do útero ou deficiência na produção do muco cervical);
  • Dificuldade de ereção ou defeitos na anatomia peniana;
  • Infertilidade de causa desconhecida.


O uso de sêmen de doador é indicado para:

  • Casais homoafetivos femininos ou mulheres solteiras que desejam ter filhos biológicos;
  • Quando há doença genética hereditária com risco de transmissão para os filhos;
  • Quando não há produção de espermatozóides (o que é conhecido como Azoospermia) ou a qualidade do esperma é muito baixa, inviabilizando o uso para a gravidez.

Etapas da Inseminação Intrauterina

  •  Estimulação ovariana

O tratamento pode ser realizado durante um ciclo natural de ovulação, isto é, sem medicamentos ou utilizando-se baixas doses de medicamentos hormonais dedicados a estimulá-la. Com isso, os ovários liberam mais de um óvulo em um mesmo ciclo ou um eventual defeito de ovulação é corrigido.

  • Acompanhamento do desenvolvimento dos folículos

A estimulação dos folículos ovarianos, onde se encontram os óvulos, leva em torno de 10 a 12 dias. Durante esse período, são realizados exames seriados de ultrassom para avaliar o desenvolvimento deles e determinar o momento correto de induzir a liberação dos óvulos. Em caso de estimulação de múltiplos folículos, o tratamento deve ser cancelado por causa do risco de gestação múltipla.

  • Maturação dos óvulos

Quando o folículo atinge o tamanho adequado, administra-se uma injeção de hCG, hormônio que provoca a maturação e induz a ovulação. A inseminação será feita 24 a 36 horas após a aplicação, no momento mais propício da ovulação.

  • Coleta e preparação do sêmen

Normalmente, o sêmen é coletado em frasco estéril no laboratório de Andrologia, por meio de masturbação, com recomendação prévia de abstinência sexual de 2 a 3 dias. O sêmen do parceiro ou do doador é processado no laboratório por meio de técnicas voltadas à seleção dos melhores espermatozóides e posterior inseminação. O processamento dura em média duas horas.

  • Inseminação

É a etapa final do procedimento. O processo é semelhante a um exame ginecológico, indolor e leva poucos minutos. Os espermatozóides são colocados dentro do útero, mais próximo das trompas, através de um delicado cateter inserido no colo uterino, guiado por um aparelho de ultrassom que permite sua visualização e posicionamento correto. Em alguns casos, pode ser útil o uso de progesterona após a inseminação, para melhorar a receptividade do endométrio e implantação do embrião.

Após 12 a 14 dias, realiza-se o teste para confirmação da gravidez.

Preparação

É importante que os interessados na inseminação faça todos os exames de sorologia para doenças infectocontagiosas, como HIV1 e 2, HTLV1 e 2, Hepatite B, Hepatite C, Sífilis, Zika Vírus e  Covid-19 (se tiver sintomas ou ter tido contato com alguém doente nos últimos 15 dias). 

A pessoa com aparelho reprodutor masculino deverá fazer abstinência sexual de 2 a 3 dias antes da coleta e evitar consumo exagerado de bebida alcoólica e cigarro; a pessoa com aparelho reprodutor feminino deverá estar fazendo uso de ácido fólico, também evitar consumo de álcool e cigarro, estar com as vacinas em dia e ter feito os exames pré-conceptivos de rotina.

Contraindicações

Para que a Inseminação Intrauterina seja realizada com êxito é importante que pelo menos uma das trompas esteja pérvia e normal, e que o sêmen apresente uma concentração e qualidade mínimas de espermatozóides. 

A IIU não é indicada quando:

  • Há problemas nas trompas decorrentes, por exemplo, de laqueadura tubária, gravidez ectópica, obstruções tubárias, inflamações e infecções;
  • Há Endometriose severa ou moderada com aderências, distorções anatômicas das trompas ou dos ovários, obstruções e acometimento de órgãos importantes;
  • Há infertilidade com alterações importantes do sêmen;  
  • Em portadores de doenças genéticas hereditárias.

Taxa de Sucesso

As taxas de sucesso da Inseminação Artificial dependem de diversos fatores, como a reserva ovariana, da idade, do tempo de infertilidade e da causa e/ou gravidade desses problemas. 

Como em qualquer tratamento de Reprodução Assistida, quanto maior a idade, menor é a chance de sucesso. A taxa média de gravidez é de, aproximadamente, 18 a 25% por tentativa até os 35 anos de idade, no caso da IIU, e de 50 a 60% na FIV.

Após os 37 anos, a probabilidade de sucesso da Inseminação Intrauterina diminui para 5 a 15%. Por isso, esse procedimento deve ser indicado preferencialmente para pessoas mais jovens e em casos leves de infertilidade dos aparelhos reprodutores feminino e masculino

Quando bem indicada e conduzida, a inseminação se constitui em um excelente método para engravidar, uma vez que se trata de um procedimento simples e, sobretudo, mais acessível do ponto de vista financeiro. 

No entanto, vale ressaltar que somente uma avaliação cuidadosa do caso pelo médico especialista determinará qual é a melhor opção de tratamento para a realização do sonho de ter um filho

Riscos e Efeitos Colaterais

Durante o tratamento, podem surgir alguns efeitos colaterais, que raramente  são graves. Os mais comuns são um discreto inchaço abdominal ou das mamas, dores de cabeça e algum desconforto abdominal. 

Pode acontecer uma resposta excessiva aos medicamentos causando a chamada Síndrome de Hiperestimulação Ovariana. Nesse caso, há aumento do inchaço e desconforto abdominal e acúmulo de líquido na região abdominal. 

Esse risco, contudo, é muito baixo e pouco frequente na Inseminação Intrauterina devido às baixas doses de hormônio utilizadas.

A estimulação ovariana pode fazer com que ocorra o desenvolvimento simultâneo de um ou mais óvulos, aumentando a chance de gravidez múltipla. Em caso de estimulação de 3 ou mais folículos, é aconselhável cancelar o procedimento.

O risco de infecção após a IIU é muito baixo. O tratamento deve ser realizado em clínicas especializadas em Medicina Reprodutiva a fim de se obter mais sucesso e segurança. 

A Inseminação Intrauterina não aumenta o risco de nascimento de bebês com malformação

Autora: Kazue

A Infertilidade também é uma condição associada à Endometriose, embora nem toda pessoa com endometriose seja infértil. Entre aquelas que apresentam infertilidade, entretanto, até 50% têm o problema endometriose.

Apesar de ser uma doença comum ao aparelho reprodutor feminino – cerca de 10% das pessoas em idade reprodutiva têm Endometriose – o diagnóstico é dificultado pela grande variedade na apresentação clínica: enquanto algumas não apresentam sintomas, outras podem apresentar sintomas de grave impacto à qualidade de vida.

Os principais são cólica menstrual, dor durante relação sexual, dor pélvica contínua não relacionada à menstruação, constipação intestinal ou diarreia no período menstrual e sangramento nas fezes e urina.

A dor pélvica, entretanto, é um sintoma muito comum e suas características podem variar. Cólicas menstruais são frequentes, mas outros tipos de dor pélvica não relacionadas ao ciclo menstrual podem ocorrer, inclusive durante o ato sexual e ao evacuar ou urinar. A piora da dor durante o período menstrual também alerta para a possibilidade de Endometriose.

É importante lembrar que outras causas de dor pélvica podem estar presentes, como alterações intestinais, ortopédicas e urinárias que devem ser identificadas e tratadas.

Diagnóstico

A maior dificuldade no diagnóstico é que os  sintomas que caracterizam a doença são pouco específicos. Por isso, muitas vezes o diagnóstico é demorado. O início do tratamento pode levar de 5 a 12 anos, prolongando a incerteza sobre os impactos da Endometriose na saúde reprodutiva.

O ideal é que, diante dos sintomas, a pessoa busque atendimento ginecológico. Os procedimentos para que a condição seja revelada vão desde um exame clínico, antecedido por um questionário aplicado no consultório médico, a exames mais específicos e complementares, entre eles os de imagem, como a Ultrassonografia Pélvica e Transvaginal (USTV) com preparo intestinal, e a Ressonância Magnética (RM) – ambos com protocolos especializados. 

Em casos específicos, após avaliação especializada podem ser solicitados à paciente exames como a Videolaparoscopia com Biópsia dos focos. 

Tratamento de Fertilidade

Caso a pessoa apresente Infertilidade decorrente da Endometriose, há várias opções disponíveis. A abordagem, contudo, deve ser individualizada, levando-se em conta a idade e a reserva ovariana, assim como o tempo de infertilidade, além da existência de outros cofatores (infertilidade do aparelho reprodutor masculino ou tratamentos anteriores). 

Não há, entretanto, um consenso na literatura médica sobre o melhor tratamento para a Infertilidade em casos de Endometriose. O tratamento medicamentoso não está indicado em casos de Infertilidade, pois resulta em suspensão da menstruação e, consequentemente, impossibilita a ocorrência de gravidez.
As taxas de gravidez dependem de inúmeros fatores (tipo de medicação usada na indução, resposta à medicação, presença de fatores associados etc.), mas  a idade é o principal, uma vez que as taxas de sucesso da gestação se reduzem gradativamente após os 35 anos. 

Para tanto, é imprescindível uma avaliação individualizada. O especialista em infertilidade deve informar aos parceiros sobre as modalidades de tratamento existentes e seus respectivos benefícios, custos e riscos.

Os tratamentos disponíveis são:

  • Cirurgia por Vídeolaparoscopia. Realizada para a remoção das lesões e correção de alterações nas tubas uterinas (trompas). A escolha do tratamento cirúrgico depende da presença ou ausência de dor, idade da pessoa, cirurgias prévias e presença de outros fatores de infertilidade, reserva ovariana e estadiamento da doença.
  • Inseminação intrauterina (IIU). Trata-se de um dos métodos mais simples de reprodução assistida. Para a realização da IIU é necessário que as trompas não estejam obstruídas e o espermograma não apresente alterações importantes. Na IIU a fertilização (encontro do óvulo com espermatozóide) ocorre dentro do trato reprodutivo feminino.
  • Fertilização In Vitro (FIV): também conhecida popularmente como “Bebê de Proveta”. É um procedimento mais complexo que requer estimulação dos ovários e coleta dos óvulos. Neste caso, o processo de fertilização (a fecundação do óvulo pelo espermatozóide) ocorre no laboratório e os embriões obtidos são transferidos de volta para a cavidade uterina.


Autor: Márcia Mendonça Carneiro

A nutrição faz parte da vida de todos e abrange não só a alimentação, mas a digestão, absorção e uso de nutrientes, até a excreção, envolvendo suas ações, interações e balanço na saúde e na doença. 

Essa é uma área muito especial porque engloba, também, a química dos alimentos e a biologia do corpo humano, estabelecendo relações complexas entre fisiologia, bioquímica e até a genética. 

Por isso, sim, a maneira como as pessoas se nutrem impacta diretamente na capacidade de reprodução delas.

Historicamente, a infertilidade sempre esteve associada à desnutrição, sobretudo quando se compara o acesso a alimentos entre países pobres e as nações mais desenvolvidas. 

A realidade do Brasil, contudo, está nos dois extremos: uma parte da população enfrentando a falta de comida e a outra parte, lidando com a comida (de baixo valor nutricional) em excesso – e isso explica, em parte, o aumento do sobrepeso e obesidade, que estão associadas à piora da fertilidade.

Impactos da Alimentação

O consumo em excesso de alimentos como carboidratos de rápida absorção (ex: doces, sucos, açúcar, produtos de farinha branca etc.), gorduras trans (presente em frituras), alimentos processados, bebidas alcoólicas e cafeína associado a hábitos e comportamentos prejudiciais ,como o sedentarismo e tabagismo,  levam à inflamação crônica de baixo grau e  ao estresse oxidativo, tornando o sistema reprodutor um ambiente “tóxico” e improdutivo, resultando em:

  • Irregularidade menstrual com produção inadequada de hormônios importantes para o sistema reprodutor;
  • Menor reserva e piora na qualidade dos óvulos;
  • Redução da concentração e motilidade (movimentação) dos espermatozoides, e no
  • Aumento da fragmentação do DNA espermático.

     

Assim como todos os sistemas biológicos, o sistema reprodutivo também depende de nutrientes para funcionar adequadamente. Especificamente nesse aspecto, a Nutrição tem por objetivo:

  • Garantir energia e vitalidade, mantendo o Sistema Reprodutor saudável;
  • Ajudar no equilíbrio hormonal do organismo, incluindo a produção de hormônios como Estrogênio, Testosterona e Progesterona;
  •  Fornecer nutrientes para o óvulo e espermatozoide;
  •  Aumentar a probabilidade de implantação do embrião no útero;
  •  Prover nutrientes para o feto em desenvolvimento.

Existe dieta para aumentar a fertilidade?

A busca por uma suposta dieta ideal para engravidar não é recente. A humanidade propaga, há anos, crenças (e muitos mitos) sobre  alimentos que poderiam trazer mais Fertilidade dos seres humanos. Essa ideia chegou a ser endossada por um grupo da Harvard School, por meio de um livro que ficou muito conhecido em 2007, o “The Fertility Diet”. 

A obra descreve os resultados de estudos científicos publicados até aquela ocasião, especialmente do Nurse’s Health Study, e defende que uma nutrição baseada em peixes, legumes, vegetais, frutas e cereais estaria relacionada à melhora da fertilidade, com maior taxa de ovulação em casos da Síndrome de Ovários Policísticos, por exemplo.  

Porém, existem diversos problemas metodológicos nos estudos em Nutrição que podem levar a conclusões equivocadas. Os vieses mais comuns são:

  • A maioria dos estudos é observacional;
  • Poucos estudos são randomizados e controlados;
  • A pesquisa do que a pessoa comeu é baseada em questionários de frequência alimentar (e é muito difícil saber exatamente o que comemos mesmo ontem!);
  • A origem, qualidade e modo de preparo dos alimentos não são controlados;
  • Healthy user bias: a pessoa saudável tende a ter outros hábitos de vida também saudáveis, além da alimentação, o que pode confundir os resultados (e ampliar diferenças);
  • Muitos estudos mostram associação e não causalidade: o fato de determinado alimento estar relacionado à melhora da fertilidade não significa, necessariamente, que o alimento é a causa da melhora.

Isso não quer dizer que os estudos não possuem credibilidade, mas que precisam ser analisados com cuidado. 

Hábitos e Comportamentos

A “dieta perfeita da fertilidade”, contudo, não existe. O melhor caminho é buscar equilíbrio e uma boa relação com os alimentos, levando a escolhas e atitudes saudáveis.

Além disso, boas escolhas alimentares podem acarretar na perda de peso, o que pode ajudar em vários aspectos da reprodução, incluindo maior facilidade de coleta de óvulos durante o processo de FIV, melhor taxa de implantação e menor risco de abortamento mesmo com embrião euplóide (cromossomicamente normal).

Escolher um estilo de alimentação saudável antes de engravidar é, também, uma decisão inteligente que pode melhorar os resultados não só do tratamento, mas também promover longevidade. E todo pai ou mãe quer mais tempo com os filhos.

 Autor: Renato Bussadori Tomioka

A experiência da infertilidade sempre fez parte da existência humana. Inúmeros fatos, rituais e crenças em diversas épocas e culturas testemunham a vivência dolorosa de não poder conceber um bebê naturalmente. 

Para além de causas e consequências, a infertilidade produz marcas que podem acompanhar a pessoa por muito tempo. 

O desejo frustrado de gerar uma vida faz o indivíduo trilhar um caminho de lutas inevitáveis que passam pelas tentativas frustradas, notícia do diagnóstico, realização dos tratamentos e pela decisão de prosseguir ou não o processo reprodutivo. Um processo emocional importante e abrangente.

A infertilidade é um quadro impactante que pode provocar um momento de crise na vida dos parceiros, do indivíduo e da família. As pessoas padecem quando não conseguem engravidar. 

Após doze meses de vida sexual ativa, sem a utilização de qualquer método contraceptivo, veem-se diante da necessidade de consultar um especialista para definir um possível diagnóstico de infertilidade, que decorre de um processo que envolve pesquisa clínica e laboratorial a fim de encontrar uma razão que justifique a natureza do problema. 

A baixa autoestima tende a ser um dos primeiros sinais de que algo não está bem. Frustrações, ansiedades, medos e angústias também aparecem sinalizando o comprometimento da saúde emocional das pessoas envolvidas nessa jornada. 

De forma mais ou menos intensa, pode envolver quadros clínicos de depressão e/ou ansiedade, advindos das experiências vividas antes, durante ou depois dos procedimentos de Reprodução Assistida (RA).

Aspectos Emocionais

Diante do diagnóstico, a maioria das pessoas tem a vida afetada nos seus vários aspectos: conjugal, familiar, profissional, pessoal e social. 

Mesmo para aquelas que não mais possuíam esperanças de terem seus filhos de maneira natural e passaram a contar com recursos da tecnologia e da Medicina Reprodutiva, a inabilidade de conceber, gestar e dar à luz pode ser vivida como uma situação penosa e estressante, cujas raízes se encontram na ideia de que todos podem procriar, gerar filhos. 

O imaginado pela maioria das pessoas é que reproduzir é “natural” ao ser humano e isso pode ocorrer no momento que a pessoa desejar.

Surge, assim, um turbilhão de emoções: ideias e crenças reconhecidas no meio social se misturam a expectativas pessoais, conjugais e familiares e o resultado costuma trazer uma vivência, sobretudo, de surpresa para a qual, frequentemente, não se está preparado. 

Os aspectos emocionais e as questões subjetivas, que emergem da investigação das causas da infertilidade, e do reconhecimento da necessidade de um tratamento de reprodução assistida, invadem a vida dos casais e indivíduos, intimamente. 

O que acontecia entre quatro paredes, como a vida sexual, vem à tona, e passa a ser objeto de pesquisa do caso pela equipe de RA. 

Essa equipe passa, assim, a fazer parte da nova jornada que esses casais devem trilhar, quase como uma família que se forma e com a qual é possível trocar informações e até mesmo segredos que, em grande parte, não são compartilhados com parentes próximos ou amigos.  

Humanização do Atendimento

Nessa relação de cumplicidade-reciprocidade, vários temas devem ser abordados pela equipe, visto que o paciente poderá se confrontar com dilemas éticos e sociais que precisam ser tratados com o profissional especialista. 

A sensibilidade na compreensão das tensões emocionais é imprescindível para tornar o percurso da jornada menos árduo. 

O tratamento de fertilidade é uma trajetória que se compõe de muitos passos a percorrer, dando lugar a diferentes fases que costumam ser marcadas por ansiedades, inseguranças, medos, raiva, tristeza, alegria e euforia. 

São emoções que tanto podem ser complicadas quanto necessárias para o desenvolvimento pessoal e para a elaboração do quadro psicoemocional da infertilidade – isso se houver um espaço de escuta qualificada e humanizada no centro de RA.

A ausência de um diagnóstico que determine a causa da infertilidade, a busca pelo melhor tratamento de RA, as suas diferentes fases, a alta expectativa pelo sucesso, a concretização da tão desejada gravidez, a frustração diante do fracasso, o olhar sobre o tratamento como tentativa e não como garantia de gestação geram reações, comportamentos e emoções que desafiam pacientes e equipes. 

O olhar sobre o todo, sobre a integração corpo-mente-emoção evitará o olhar parcial sobre a “cintura para baixo”, que exclui o olhar da “cintura para cima”. 

Embora todos cheguem com o mesmo sonho, no processo reprodutivo, há uma variedade de condições associadas, que incluem sintomas e características singulares. 

A escuta e o acolhimento proporcionam atenção a cada casal e a cada indivíduo contribuindo para seu bem-estar nesta travessia. A valorização da história de cada paciente como uma vivência única, traz a humanização necessária ao tratamento. 

Autores: Kátia M. Straube, Márcia Gusmão, Rose M. Melamed