Nova Quais são os impactos da nutrição na fertilidade humana?

A nutrição faz parte da vida de todos e abrange não só a alimentação, mas a digestão, absorção e uso de nutrientes, até a excreção, envolvendo suas ações, interações e balanço na saúde e na doença. 

Essa é uma área muito especial porque engloba, também, a química dos alimentos e a biologia do corpo humano, estabelecendo relações complexas entre fisiologia, bioquímica e até a genética. 

Por isso, sim, a maneira como as pessoas se nutrem impacta diretamente na capacidade de reprodução delas.

Historicamente, a infertilidade sempre esteve associada à desnutrição, sobretudo quando se compara o acesso a alimentos entre países pobres e as nações mais desenvolvidas. 

A realidade do Brasil, contudo, está nos dois extremos: uma parte da população enfrentando a falta de comida e a outra parte, lidando com a comida (de baixo valor nutricional) em excesso – e isso explica, em parte, o aumento do sobrepeso e obesidade, que estão associadas à piora da fertilidade.

Impactos da Alimentação

O consumo em excesso de alimentos como carboidratos de rápida absorção (ex: doces, sucos, açúcar, produtos de farinha branca etc.), gorduras trans (presente em frituras), alimentos processados, bebidas alcoólicas e cafeína associado a hábitos e comportamentos prejudiciais ,como o sedentarismo e tabagismo,  levam à inflamação crônica de baixo grau e  ao estresse oxidativo, tornando o sistema reprodutor um ambiente “tóxico” e improdutivo, resultando em:

  • Irregularidade menstrual com produção inadequada de hormônios importantes para o sistema reprodutor;
  • Menor reserva e piora na qualidade dos óvulos;
  • Redução da concentração e motilidade (movimentação) dos espermatozoides, e no
  • Aumento da fragmentação do DNA espermático.

Assim como todos os sistemas biológicos, o sistema reprodutivo também depende de nutrientes para funcionar adequadamente. Especificamente nesse aspecto, a Nutrição tem por objetivo:

  • Garantir energia e vitalidade, mantendo o Sistema Reprodutor saudável;
  • Ajudar no equilíbrio hormonal do organismo, incluindo a produção de hormônios como Estrogênio, Testosterona e Progesterona;
  •  Fornecer nutrientes para o óvulo e espermatozoide;
  •  Aumentar a probabilidade de implantação do embrião no útero;
  •  Prover nutrientes para o feto em desenvolvimento.

Existe dieta para aumentar a fertilidade?

A busca por uma suposta dieta ideal para engravidar não é recente. A humanidade propaga, há anos, crenças (e muitos mitos) sobre  alimentos que poderiam trazer mais Fertilidade dos seres humanos. Essa ideia chegou a ser endossada por um grupo da Harvard School, por meio de um livro que ficou muito conhecido em 2007, o “The Fertility Diet”. 

A obra descreve os resultados de estudos científicos publicados até aquela ocasião, especialmente do Nurse’s Health Study, e defende que uma nutrição baseada em peixes, legumes, vegetais, frutas e cereais estaria relacionada à melhora da fertilidade, com maior taxa de ovulação em casos da Síndrome de Ovários Policísticos, por exemplo.  

Porém, existem diversos problemas metodológicos nos estudos em Nutrição que podem levar a conclusões equivocadas. Os vieses mais comuns são:

  • A maioria dos estudos é observacional;
  • Poucos estudos são randomizados e controlados;
  • A pesquisa do que a pessoa comeu é baseada em questionários de frequência alimentar (e é muito difícil saber exatamente o que comemos mesmo ontem!);
  • A origem, qualidade e modo de preparo dos alimentos não são controlados;
  • Healthy user bias: a pessoa saudável tende a ter outros hábitos de vida também saudáveis, além da alimentação, o que pode confundir os resultados (e ampliar diferenças);
  • Muitos estudos mostram associação e não causalidade: o fato de determinado alimento estar relacionado à melhora da fertilidade não significa, necessariamente, que o alimento é a causa da melhora.

Isso não quer dizer que os estudos não possuem credibilidade, mas que precisam ser analisados com cuidado. 

Hábitos e Comportamentos

A “dieta perfeita da fertilidade”, contudo, não existe. O melhor caminho é buscar equilíbrio e uma boa relação com os alimentos, levando a escolhas e atitudes saudáveis.

Além disso, boas escolhas alimentares podem acarretar na perda de peso, o que pode ajudar em vários aspectos da reprodução, incluindo maior facilidade de coleta de óvulos durante o processo de FIV, melhor taxa de implantação e menor risco de abortamento mesmo com embrião euplóide (cromossomicamente normal).

Escolher um estilo de alimentação saudável antes de engravidar é, também, uma decisão inteligente que pode melhorar os resultados não só do tratamento, mas também promover longevidade. E todo pai ou mãe quer mais tempo com os filhos.

 Autor: Renato Bussadori Tomioka

Fale Conosco

Preencha seus dados