Tratamento para fertilidade não aumenta risco de câncer de ovário, aponta estudo

12 de setembro de 2019

Mais de seis mil casos são estimados ao ano no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA). É o segundo tipo de câncer mais comum entre as mulheres 

O tratamento hormonal usado na Fertilização In Vitro (FIV) para mulheres com problemas de fertilidade não aumenta o risco de tumores no ovário, segundo um estudo desenvolvido pelo Instituto Holandês do Câncer e apresentado no Congresso Europeu de Reprodução Assistida e Embriologia (ESHRE), realizado na cidade de Viena, na Áustria. Ao longo de duas décadas, pesquisadores acompanharam casos e dados de mais de dez mil holandesas e concluíram que não há risco de câncer de ovário.

“Os resultados tranquilizam as pacientes que se submetem a essa técnica. Os estudos apontam ainda que não há risco oncológico nos bebês nascidos após tratamento médico de infertilidade”, afirma o diretor da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), César Barbosa.

Hoje, as mulheres que se submetem à FIV são submetidas à estimulação ovariana para chegar à uma super ovulação. Os óvulos são aspirados por uma agulha guiada por ultrassom transvaginal. Nos homens, a coleta do sêmen acontece por meio da masturbação. Após seleção dos melhores espermatozoides e dos óvulos maduros, procede-se à FIV e depois de 2 a 5 dias, o óvulo fertilizado passa a ser considerado um embrião e é transferido para o útero da paciente na tentativa de gerar uma gravidez.  

O nível elevado de estrogênio na paciente durante os dez dias de ovulação poderia ser um fator essencial para o desenvolvimento de tumor no ovários. No entanto, conforme explica o especialista da SBRA, não existe comprovação científica de risco oncológico desse tipo de câncer em mulheres submetidas a tratamentos de infertilidade. “Esse esclarecimento é muito importante para que as mulheres sujeitas a estes procedimentos, com o intuito de constituir família, fiquem tranquilas”, reforça Barbosa. 

Recomendações – A FIV é uma das formas de tratamento quando o casal tem pelo menos um ano de tentativas de engravidar, sem sucesso. Mas, se houver alguma causa de infertilidade identificada, como baixa produção/qualidade dos espermatozoides ou trompas obstruídas, que limitam a utilização de outras técnicas, a indicação pode ser com menor tempo.

Caso a mulher tenha uma reserva de óvulos comprometida, como ocorre em faixas etárias mais avançadas, a indicação pode ser antecipada. É também indicada aos homens com baixa produção de espermatozoides e àquelas mulheres com trompas obstruídas ou com idade superior a 38 anos. 

Câncer do ovário –  Mais de seis mil casos são estimados ao ano, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA). É o segundo tipo de câncer mais comum entre as mulheres. A maior parte de incidências são de células epiteliais (que revestem o ovário) e, a minoria, são de células germinativas (que formam os óvulos) e células estromais (que produzem a maior parte dos hormônios femininos). O risco de câncer de ovário é maior em mulheres com infertilidade, que menstruaram antes dos 12 anos e ou com menopausa tardia. Mulheres que tomam contraceptivos ou que tiveram vários filhos têm menos chances de incidência.

Acesse aqui a síntese do estudo apresentado no ESHRE (documento está em inglês)

Por Fernanda Matos – Conversa Coletivo de Comunicação Criativa

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