Tema de novela das 21h, gestação de gêmeos em tratamentos de reprodução assistida requer cuidados

19 de janeiro de 2022

As novas tecnologias em reprodução assistida têm possibilitado que cada vez mais pessoas inférteis realizem o sonho de terem filhos. No entanto, os tratamentos também podem aumentar o risco de gestação múltipla, quando mais de um bebê é gerado ao mesmo tempo.

De acordo com o médico ginecologista obstetra e presidente da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), Dr. Alvaro Pigatto Ceschin, cerca de um terço dos gêmeos origina-se a partir de um único ovo e são denominados monozigóticos. “Os outros dois terços originam-se de ovos diferentes, sendo denominados dizigóticos. As incidências espontâneas de gestações dizigóticas duplas, triplas e quádruplas, são respectivamente, de 1 em 80, 1 em 7.000, 1 em 600.000, sendo a incidência de gestações monozigóticas em torno de 3,5 em 1000 nascimentos”, esclarece.

Segundo o Dr. Ceschin, a utilização de drogas indutoras da ovulação, bem como o número de embriões transferidos para o útero, influi nessa incidência. Na transferência de três embriões, a chance de gêmeos é de 25%, enquanto a de trigêmeos é de 8,3%. “A incidência de gestações monozigóticas também aumenta em gravidez resultante de tratamento de infertilidade, chegando a 13 em cada 1000 nascimentos”, completa.

Na visão do presidente da SBRA, este risco aumentado de gestações múltiplas precisa sempre ser ponderado com os pais. “Apesar de algumas vezes ser este o desejo do casal, com o aumento do número de fetos há um incremento de complicações como anemia, hiperemese gravídica, síndromes hipertensivas, diabetes gestacional, trabalho de parto prematuro e restrição de crescimento intrauterino”, explica. 

O médico também assegura que a síndrome de transfusão feto-fetal e a possível morte de um gemelar são eventos que podem levar à interrupção antecipada da gestação, sendo esta complicação recentemente abordada na novela das 21h da Globo ‘Um Lugar ao Sol”. Na história, a grávida de gêmeos Ilana (Mariana Lima) verá um sangramento virar estopim para uma nova crise no casamento com Breno (Marco Ricca).

Segundo o Registro da Rede Latino Americana de Reprodução Assistida (REDLARA), houve uma diminuição do número de embriões transferidos para o útero nos últimos 20 anos, de 3,2 embriões em 2000 para 1,8 embriões do ano 2018. Isso ocorreu porque, com os riscos de gemelaridade e suas complicações, há indicação de transferir menos embriões ao útero – preferencialmente apenas um.

A mudança fez com que o índice de partos múltiplos caísse de 31,2% para 17,7%. As ocorrências de trigêmeos ou mais caíram ainda mais: de 7,7% em 2020 para somente 0,4% em 2018. “Esta tendência demonstrada no registro reflete a do nosso país”, afirma o Dr. Alvaro Ceschin.

“A evolução dos meios de cultivo, estufas e estrutura dos laboratórios de reprodução humana assistida tem feito com que cada vez mais colegas da SBRA incentivem suas pacientes a transferir apenas um embrião para a cavidade uterina, com prognóstico de gravidez muito favorável e baixo risco de gemelaridade”, conclui o presidente da SBRA.

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