Tema de novela das 21h da Globo, reprodução assistida deve ser acessível a todos os gêneros e classes sociais, diz especialista

15 de dezembro de 2021

A atual novela das 21h da TV Globo, “Lugar Ao Sol”, trouxe o tema da reprodução assistida para a discussão nas casas de vários brasileiros. A personagem Ilana, interpretada pela atriz Mariana Lima, decide fazer a fertilização in vitro para ter um filho com o fotógrafo Breno, interpretado pelo ator Marco Ricca.

Entretanto, no meio deste processo ela reencontra a amiga de infância e médica obstetra Gabriela, interpretada pela Natália Lage. Com o casamento com Breno abalado, as duas acabam se apaixonando e a novela vai abordar o preconceito que casais homoafetivos vivem na vida real.

De acordo com o médico ginecologista creditado pela Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), Dr. Newton Eduardo Busso, a abordagem deste tema é bastante positiva para divulgar a importância da reprodução assistida para todas as pessoas.

A infertilidade, que não é mais apenas heterossexual ou conjugal, estende-se a um número indefinido de pessoas que buscam uma gravidez. Seja com parceiros, sem parceiros, parceiros de gêneros diferentes ou igual ao seu, situações inclusive previstas e aprovadas em Resolução do Conselho Federal de Medicina. Ela pode ser decorrente de alguma doença que impeça a gestação ou mesmo quando se trata de união que impossibilite a fecundação natural como as citadas acima”, explica o Dr.

O médico também destacou a importância da técnica da fertilização in vitro. “Hoje o tratamento para quem busca uma gravidez e, pelos motivos expostos, não consegue, passa na grande maioria das vezes pela fertilização in vitro, tratamento consagrado e eficaz que conta com mais de oito milhões de crianças nascidas no mundo todo”, comenta.

Segundo o Dr. Newton, a indicação dessa técnica ainda é maior quando levamos em consideração os diagnósticos genéticos nas pessoas com antecedentes familiares ou de risco para estas alterações e que querem uma gestação com um recém-nascido sem as doenças pesquisadas.

“Aumenta ainda mais pois é real e inconteste que aumenta cada dia mais o número de mulheres que vêm postergando a maternidade por inúmeras razões e que talvez no futuro pensem em gravidez, como no caso da novela. As razões mais comuns são a formação acadêmica e profissional e muitas vezes a dificuldade de encontrarem um parceiro com o qual queiram dividir uma gestação e a consequente criação de um filho”, assegura o ginecologista.

A discussão de tópicos como estes pela sociedade, ou na novela, é importante. Mas, na visão do médico, isso também deveria passar pelo tema de acesso à fertilização in vitro, para mostrar quantos casais sem condições financeiras perambulam anos seguidos pelas clínicas privadas e serviços públicos mendigando uma chance de tratamento. 

“Nada a comemorar neste sentido se a novela ficar somente no glamour de uma gestação tardia em quem pode pagar para congelar seus óvulos previamente e pagar por uma fertilização in vitro depois”, indaga o médico.

De acordo com ele, abordar o tema na novela nada acrescenta às milhares de pessoas ou casais que sequer poderão ter ao menos uma tentativa de fertilização in vitro. Para muitos deles a única chance de realizar seu sonho, e quando conseguem, é à custa de uma economia de anos. 

“Talvez a discussão desse tema acrescente algo sim: a sensação de desesperança e abandono à qual as pessoas nessas condições estão relegadas. O tratamento ficará somente na fantasia da novela e, na realidade, só haverá sonhos, mas sonhar faz parte da nossa vida”, reflete Newton.

É importante destacar que dos cerca de 50.000 ciclos de fertilização estimados no Brasil, menos de 10% são realizados pelos serviços públicos. O que mostra um descaso com milhões de brasileiros doentes, pois infertilidade é doença catalogada na Classificação Internacional de Doenças e, portanto, deveria ser contemplada inclusive pelos planos de saúde”, conclui o médico.

Reprodução Assistida no SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza de maneira gratuita tratamentos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro, inseminação intrauterina, indução da ovulação, coito programado e injeção intracitoplasmática de espermatozoide, entre outros. 

O processo para conseguir uma vaga, no entanto, pode levar anos e exige muita dedicação dos interessados, até porque pode ser necessária mais de uma tentativa e existem somente nove hospitais na rede pública capacitados para oferecer o serviço, localizados apenas nos Estados de São Paulo (3), Minas Gerais (1), Rio Grande do Sul (2), Pernambuco (1), Rio Grande do Norte (1) e no Distrito Federal (1).

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