Síndrome dos Ovários Policísticos, avanços no diagnóstico e tratamento

9 de outubro de 2018

A síndrome dos ovários policísticos (SOP), disfunção endócrina mais frequente na mulher em idade reprodutiva, envolve atenção de múltiplas especialidades médicas devido à sua origem multifatorial. As condutas clássicas nem sempre atendem às reais necessidades das pacientes, estigmatizando-as muitas vezes. A publicação das recomendações está baseada no que há de melhor evidência, expertise clínica internacional e preferência das consumidoras originárias das diretrizes publicadas originalmente pelo Conselho Australiano Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (NHMRC) e apoiadas pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) e Sociedade

Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE) sobre avaliação e abordagem da SOP com os objetivos de:
1. reduzir diferenças entre as condutas no mundo;
2. melhorar resultados de saúde e qualidade de vida em mulheres com SOP, priorizando aspectos como satisfação de peculiaridades individuais e adesão aos cuidados centrados na paciente para torná-los mais eficazes;
3. refinar o diagnóstico e tratamento dos sintomas;
4. prevenir precocemente as eventuais complicações.

Os grupos que desenvolveram as diretrizes endossam os critérios diagnósticos de Rotterdam para SOP (associação de dois dos itens: a. oligo ou anovulação, b. hiperandrogenismo clínico e ou bioquímico ou c. ovários policísticos ao ultrassom), após exclusão de outras doenças relacionadas.

Mesmo fazendo parte dos critérios diagnósticos, dentre as recomendações por consenso clínico, a ultrassonografia não deve ser considerada quando houver menos de 8 anos de idade ginecológica, ou seja, com menos de 8 anos após a menarca devido à alta incidência de ovários multifoliculares nessa fase da vida.

Não há recomendação baseada em evidência para o uso da dosagem do AMH (hormônio anti-mülleriano) sérico para a detecção do ovário multifolicular ou como teste único no diagnóstico de SOP.

Uma vez diagnosticada, a abordagem e conduta incluem aspectos reprodutivos, metabólicos e psicológicos, isto é, os profissionais devem estar atentos para os riscos cardiovasculares, distúrbios glicêmicos inclusive durante a gestação, de apnéia obstrutiva, propensão ao câncer de endométrio, aspectos emocionais e distúrbios psicológicos como a ansiedade e depressão. As intervenções no estilo de vida, educação, auto-empoderamento, cuidados multidisciplinares na prevenção ou abordagem do excesso de peso são prioridades.

Para a irregularidade menstrual e distúrbios hiperandrogênicos, os anticoncepcionais orais combinados são de primeira escolha, preferencialmente, os de baixa dosagem hormonal. A combinação com 35 microgramas de etinilestradiol associada a acetato de ciproterona não deve ser de primeira linha devido aos efeitos adversos incluindo risco de trombose venosa.

O letrozole mesmo sendo de uso “off label” para indução da ovulação passou a ser recomendado como primeira opção para as mulheres que desejam engravidar como opção única ou em combinação com outros medicamentos.

As diretrizes focam em 31 recomendações baseadas em evidência, 59 recomendações baseadas em consensos clínicos e 76 pontos de prática clínica relacionados à investigação e conduta na SOP. A importância da iniciativa serviria como um exemplo de compromisso internacional com impacto nos cuidados de saúde.

*Por Hitomi Nakagawa, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA)

Referência:
Teede HJ, Misso ML, Costello MF, Dokras A, Laven J, Moran L, Piltonen T, Norman RJ, on behalf of the International PCOS Network. Recommendations from the international evidence-based guideline for the assessment and management of polycystic ovary syndrome. doi:10.1093/humrep/dey256. Downloaded from https://academic.oup.com/humrep/advance-article-abstract/doi/10.1093/humrep/dey256/5056069 by guest
on 24 July 2018

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