Sexo durante o tratamento de reprodução assistida é permitido?

2 de julho de 2021

Durante o procedimento de reprodução assistida, é comum surgirem muitas dúvidas do casal em tratamento. Uma delas é sobre manter a vida sexual ativa durante o procedimento. O sexo durante o tratamento de reprodução assistida é permitido? Sim!

O relacionamento sexual do casal durante o tratamento de reprodução assistida pode e deve ser mantido. Casais que estão vivendo o diagnóstico da infertilidade e realizando tratamentos de reprodução assistida passam por vários conflitos. Entre eles, a invasão da privacidade, o medo do insucesso, o receio do julgamento de sua feminilidade e masculinidade, bem como a autocrítica.

Tais questionamentos e medos geram uma ansiedade que pode afetar a vida do casal. Pessoas que têm mais dificuldade de expressar seus sentimentos serão mais impactadas e têm mais chance de vivenciarem, além da dor da infertilidade, a dor da solidão dentro do próprio lar. Por isso, manter a vida sexual ativa durante o tratamento certamente é uma das atitudes que tornará o tratamento mais leve, além de unir mais o casal.

“É recomendável, sim, que o casal possa se relacionar intimamente para se aproximar, gerando mais cumplicidade. Manter a vida sexual ativa alivia a sobrecarga imposta pelo diagnóstico e a cobrança pelo resultado do tratamento. Além disso, o relacionamento íntimo tende a tornar o casal mais unido e isso os torna mais aderentes e comprometidos com o tratamento”, explica a médica ginecologista e membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), Angela D’ Ávila.

Restrições – Recomenda-se restringir a relação sexual nos dias que antecedem a coleta de óvulos e no próprio dia do procedimento, após a transferência embrionária. Tudo isso em virtude da sensibilidade da pelve feminina.
Segundo a médica Angela D’ Ávila, não há nenhum estudo mostrando malefício com a relação sexual após a transferência embrionária. “Em geral, a paciente seguirá a orientação do seu médico. Entretanto, boa parte das vezes os profissionais preferem não autorizar a relação pelo risco de contrações uterinas quando da ocorrência do orgasmo”, explica.

Mitos e verdades sobre sexo durante o tratamento de reprodução assistida

O sêmen aumenta a chance de gravidez durante o tratamento?

Conforme explica a doutora Angela D’ Ávila, há estudos tentado demonstrar que a exposição do trato reprodutor feminino ao sêmen durante os dias de estimulação da ovulação para a Fertilização In Vitro, especialmente próximo à coleta de óvulos e à transferência embrionária, poderia aumentar as taxas de gravidez.

“Alguns estudos foram realizados colocando plasma seminal diretamente no útero da mulher no dia da coleta de óvulos e foi feita uma comparação com aquelas em que o procedimento não foi realizado. O resultado, em alguns casos, foi o aumento da chance de ter um bebê, enquanto em outros, a chance não mudou com a exposição ao sêmen. Porém, a teoria por trás desse possível aumento do sucesso seria o estímulo ao endométrio para receber melhor o embrião,” afirma a médica.

Sexo frequente durante o tratamento piora a qualidade seminal para o dia da fertilização?

Atualmente, existem estudos que alegam exatamente o contrário, ou seja sêmen para ser bom não precisa ser poupado com longos dias. “A abstinência curta para a realização da Fertilização In Vitro pode ser benéfica para a qualidade seminal. Vários estudos demonstram que o tempo de abstinência mais curto deixa a amostra seminal com melhor qualidade, tanto em homens com espermograma normal como naqueles com espermograma alterado”, comenta a doutora.

Outros estudos ainda demonstram maiores taxas de gravidez quando o período de abstinência antes da coleta para a Fertilização In Vitro é mais curto.

A penetração estimula a perda dos óvulos?

A ação mecânica sobre o ovário não prejudica a estimulação da ovulação porque o processo de amadurecimento e liberação dos óvulos é puramente hormonal, sendo acompanhada laboratorialmente pela equipe médica, que avalia e determina o controle estrito deste processo.

Entretanto, com o estímulo do ovário e o aumento do seu volume, ele fica muito sensível a estímulos dolorosos. “A relação sexual, especialmente próximo ao fim do estímulo ovariano, isto é, nos dias próximos à coleta dos óvulos, pode ser bastante desconfortável. E se não for prazeroso, o melhor é não ter relação”, explica Angela D’ Ávila.

No dia da coleta dos óvulos, o abdome pode estar ainda mais sensível, o que causa desconforto na relação sexual. Casos extremamente raros nos quais não foi possível coletar todos os óvulos durante o procedimento de aspiração folicular podem cursar com a liberação desses óvulos para a pelve; estes poderiam ser captados pelas trompas e até fertilizados com o sêmen oriundo de uma relação sexual. O ônus dessa situação seria a paciente poder engravidar de forma natural e também através do(s) embrião(ões) transferidos na fertilização.

“Vale lembrar que essa possibilidade é extremamente remota porque o casal que está se submetendo ao procedimento apresenta dificuldades de engravidar naturalmente. Para orientação a respeito da relação sexual após a transferência dos embriões, há uma disputa acirrada entre a ciência e a imaginação dos casais que estão passando pelo processo”, conclui a médica Angela D’ Ávila.

Por Luara Nunes, Conversa – Estratégias de Comunicação Integrada

Fale Conosco

Preencha seus dados




Secretaria Executiva | SBRA
SCES Trecho 3, Conjunto 6, Sala 209 | Associação Médica de Brasília | Asa Sul, Brasília-DF – CEP: 70200-003
Telefone: (61) 3225-0019
Celular: (61) 9.8419.0385
E-mail: presidenciasbra@gmail.com