SBRA alerta para a importância da gestão eficaz dos resíduos nas clínicas de reprodução assistida

27 de abril de 2021

Especialistas reforçam o compromisso do setor com a diminuição da produção de lixo e com a destinação adequada de cada material

O descarte correto e responsável dos resíduos sempre esteve entre as principais preocupações das clínicas de reprodução assistida. Com a pandemia da Covid-19, a geração de lixo nos estabelecimentos aumentou significativamente, ampliando a atenção dos especialistas em relação ao descarte adequado e consciente desses resíduos. Neste contexto, especialistas da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) alertam para a necessidade de um melhor gerenciamento dos detritos gerados pelos laboratórios, especialmente neste momento de pandemia.

Segundo o embriologista e especialista em reprodução humana certificado pela SBRA, Edson Guimarães Lo Turco, assim como os demais serviços de saúde, os centros de reprodução assistida geram vários tipos de resíduos infectantes e perfurocortantes, que podem oferecer risco para as pessoas, e lixo não infectante. Estes, inclusive, podem ser reciclados se descartados corretamente – por exemplo, plástico e papel. 

“O protocolo básico para minimizar riscos com o gerenciamento e manipulação desses resíduos é, em primeiro lugar, ter profissionais devidamente treinados em identificação e classificação dos resíduos. A clínica também deve dispor de contêiner e ambientes apropriados para o armazenamento e o descarte e ter um contrato com uma empresa, devidamente registrada na vigilância sanitária, que fará a coleta e dará o destino final para cada tipo de resíduo produzido”, explica.

O especialista acredita ser fundamental o treinamento das equipes técnicas dos estabelecimentos, o que deve proporcionar mais segurança tanto para os pacientes quanto para os profissionais. “É essencial, visto que resíduos produzidos em clínicas de reprodução assistida podem oferecer riscos para os próprios profissionais de saúde e para os casais atendidos por eles”, diz.

A embriologista Maria Cecília Cardoso, médica especialista em reprodução humana certificada pela SBRA, destaca que o ideal é sempre destinar cada resíduo para seu recipiente: papel para o papel, plástico para o plástico e lixo hospitalar somente para aquilo que entrou em contato com fluidos orgânicos. “O que acontece na maioria dos serviços é que tudo é descartado como lixo hospitalar, por comodidade dos usuários, gerando uma grande quantidade de plástico tóxico, que acabam sendo incinerados dentro do processamento geral do lixo hospitalar”, alerta.

Regulamentação – No Brasil, a gestão de resíduos em qualquer estabelecimento de saúde, inclusive nas clínicas de reprodução assistida, é regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Segundo os especialistas, as clínicas não necessitam de nenhuma regulamentação especial ou diferente dos demais serviços de saúde relacionados à gestão dos resíduos. Uma das principais orientações para o setor é a Resolução da Diretoria Colegiada – RDC 222, de 28 de março de 2018, que regulamenta as boas práticas de gerenciamento de resíduos dos serviços de saúde. 

Edson Lo Turco explica que, para o centro de reprodução assistida funcionar, ele deve passar por inspeções periódicas realizadas pela Anvisa. “Além disso, deve-se seguir as normas descritas em RDCs que explicam como devem ser manuseados os resíduos produzidos em uma clínica de reprodução assistida”, completa. 

O embriologista esclarece também que, durante a pandemia da Covid-19 não houve modificação nas RDCs, mas a Anvisa publicou em notas uma série de recomendações para orientar os profissionais. “Tais resoluções são de fundamental importância para o nosso setor, especialmente neste momento sensível que vivemos. Muitas orientações publicadas nos últimos meses serviram para reforçar a importância de aumentarmos a atenção quanto à manipulação e descarte dessas amostras possivelmente infectantes”, afirma.

Responsabilidade e compromisso – Por fim, os embriologistas ressaltam que, com a pandemia, ficou ainda mais clara a responsabilidade social dos profissionais. Maria Cecília Cardoso diz que é preciso criar estratégias de diminuição da produção de lixo e destinação adequada de cada material. 

“Tentar engajar os fabricantes e distribuidores dos nossos insumos a desenvolver mecanismos de logística reversa. Mais do que isso, aumentar a consciência ambiental e participar do maior número possível de programas de reciclagem, por exemplo, deixando mensagens também para os pacientes em pontos estratégicos da clínica”, explica.

Já Edson Lo Turco lembra a importância do compromisso de todos os profissionais com as medidas de prevenção aplicadas no ambiente de trabalho. “Nossa responsabilidade como profissionais de saúde é, além de curar e tratar, manter nosso ambiente o mais seguro possível para os pacientes e para nós mesmos. Portanto, muita atenção com o descarte no seu estabelecimento de saúde, finaliza.

Confira algumas recomendações no Manual de Biossegurança produzido pela Associação Brasileira de Embriologistas em Medicina Reprodutiva (PRONÚCLEO). Clique aqui e acesse o material, que contou com a colaboração da presidente da SBRA, Hitomi Nakagawa.

Por Fernanda Matos – Conversa | Estratégias de Comunicação Integrada

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