Reversão ou fertilização in vitro podem recuperar fertilidade de mulheres que optaram pela laqueadura tubária

12 de janeiro de 2018

Quatro em cada 10 das brasileiras em idade reprodutiva (de 10 a 49 anos) realizam a laqueadura tubária – procedimento voluntário de esterilização na mulher. Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) colocam o Brasil ao lado da China e da Índia entre os países com maiores índices da cirurgia. A recomendação médica é que esse tipo de procedimento seja feito após muita reflexão, já que a reversão é extremamente difícil.

De acordo com Edilberto Araujo, ginecologista creditado pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), a laqueadura tubária é considerada definitiva, por isso é preciso muito diálogo entre o casal e o profissional de saúde para a tomada consciente de uma decisão.

“Esse procedimento ocorre quando as trompas são amarradas ou cortadas, interrompendo a possibilidade de óvulo e espermatozoides se encontrarem. A paciente deve ter 25 anos e no mínimo dois filhos. Todavia é importante que a paciente esteja ciente que existem outros métodos anticonceptivos muito eficientes e que não são definitivos”, sugere o médico.

A boa notícia é que a cirurgia para reversão da laqueadura existe, mas as chances de sucesso dependem de alguns fatores como condições cirúrgicas e técnica utilizada. “Se a técnica de laqueadura foi mais conservadora, como a de Pomeroy, por exemplo (onde se amarra e corta as trompas na parte media das trompas), a taxa de sucesso na reversão é boa, variando de 48 a 80 % segundo a literatura, em termos de gravidez em um ano”, explica Edilberto.

Como ter filhos depois da laqueadura?

Para o médico, além dos riscos inerentes a qualquer procedimento cirúrgico, o maior risco da laqueadura é o arrependimento da paciente e insucesso na reversão. “O médico precisa ter bom senso na hora de indicar ou não a reversão, levando-se em conta a idade da paciente, o tipo de laqueadura realizada e se não há outros fatores de infertilidade envolvidos como um fator masculino grave, por exemplo”, reforça.

Caso a reversão da laqueadura não funcione, o casal ainda pode tentar engravidar por meio da Fertilização in Vitro (FIV). “A fecundação do óvulo e nutrição do embrião, até que ele chegue no útero, é realizada pela trompa. Na ausência dela, esse processo tem que ser feito fora do útero. Para isso temos que estimular os ovários da paciente, de forma a produzir vários folículos maduros, acompanhar pelo ultrassom até que eles atinjam o tamanho ideal, para depois aspirar os óvulos”, esclarece o especialista.

“A partir daí entra o trabalho do laboratório, onde os embriologistas selecionam os melhores óvulos e espermatozoides para serem fecundados. Passados de 2-5 dias os embriões com melhor chance de vingar são transferidos por via vaginal com auxílio de um delicado cateter para dentro do útero”, conclui o ginecologista.

 

Por Júlia Carneiro
Conversa Coletivo de Comunicação Criativa

Créditos da foto: https://goo.gl/KRxEPo

Fale Conosco

Preencha seus dados




Secretaria Executiva | SBRA
SCES Trecho 3, Conjunto 6, Sala 209 | Associação Médica de Brasília | Asa Sul, Brasília-DF – CEP: 70200-003
Telefone: (61) 3225-0019
Celular: (61) 9.8419.0385
E-mail: [email protected]