Reprodução assistida em pessoas trans necessita de maior divulgação na sociedade, diz médico

6 de janeiro de 2022

A reprodução assistida em casais com pessoas trans é um tema que vem avançando nos últimos anos. Entretanto, o assunto ainda é considerado um tabu,  especialmente para pessoas com pouco acesso à informação.

De acordo com o médico ginecologista e obstetra Dr. Nícolas Cayres, o tema atualmente vem se desmistificando por causa da visibilidade trans e pelo acesso à informação. “As redes sociais facilitaram isso. A própria população trans conheceu melhor os seus direitos e oportunidades. Isso vem se tornando cada vez mais difundido, mas ainda há um longo caminho para a popularização do tema”, comenta.

Segundo ele, as técnicas mais utilizadas em pessoas trans são a fertilização in vitro e inseminação artificial. Porém, para utilizá-las, é necessário que as pessoas trans não tenham feito a cirurgia de redesignação sexual. “No caso de homens trans, eles precisam ter o seu aparelho reprodutor preservado, útero e ovários; no caso de mulheres trans, o penis e testículos, ou seja, não podem ter feito a cirurgia de adequação sexual”, explica o Dr.

O médico também detalhou os procedimentos para ambos os casos, que podem variar de acordo com a vontade do casal ou da pessoa. “Para os homens trans, pode-se fazer uma estimulação ovariana para captar os óvulos e realizar a fertilização in vitro com semen do companheiro ou doador  e transferir o embrião pro útero de outra pessoa. De outro modo, se esse homem trans desejar ter uma gestação, pode-se fazer a inseminação com o semem de um parceiro ou de um doador”, detalha. No caso das mulheres trans, a coleta do semem é realizada e dependendo de quem for o parceiro ou a parceira,faz-se também a fertilização in vitro ou inseminação artificial.

Para pessoas trans que desejam ter filhos, é muito importante frisar que será necessário  interromper a transição hormonal, pois tanto os ovários como os testículos param de funcionar. Ou seja, ficam bloqueados quando se usa testosterona no homem trans e estradiol nas mulheres trans.

O Dr. Nícolas Cayres dá uma boa dica: “se a pessoa trans vai começar um tratamento hormonal e tem vontade de ser pai ou mãe no futuro, mantendo seu material genético, antes de começar a transição hormonal, procure um centro de reprodução assistida para congelar os óvulos ou espermatozoides”.

O médico ginecologista e obstetra alerta: “apesar de estar deixando de ser tabu, eu vejo muitos pacientes não sendo bem acolhidos por outros profissionais da área. Talvez por falta de informação, ou pelo lado pessoal. O médico precisa saber orientar e encaminhar qualquer paciente, especialmente com este perfil”, conclui o Dr. Nícolas.

Matheus Venzi | Produção de Conteúdo – Conversa | Estratégias de Comunicação Integrada

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