Quantidade e qualidade dos óvulos afeta a fertilidade feminina

18 de janeiro de 2018

Os distúrbios ovulatórios estão entre as causas da infertilidade feminina mais comuns, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Eles ocorrem quando há uma quantidade reduzida de folículos, espécie de cápsulas que guardam os óvulos. Isso leva à problemas na maturação das células sexuais produzidas nos ovários, os gametas femininos, podendo causar baixa frequência de ovulações ou sua ausência completa. A idade avançada é a principal vilã dos distúrbios na ovulação.

Luiz Augusto, ginecologista creditado pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) explica porque a causa mais comum para os distúrbios ovulatórios está ligado ao tempo de vida da mulher. “Diferente dos homens que produzem espermatozoides a vida toda, as mulheres nascem com uma quantidade de óvulos definida em seus ovários. Eles são gastos ao longo da vida de forma contínua até se acabarem na menopausa. Para a maioria das mulheres, seus ovários conseguem manter uma boa população de óvulos até 25-30 anos, mas a partir disso, a maioria das mulheres apresenta queda de quantidade de óvulos”.

Devido ao processo de envelhecimento os óvulos também sofrem uma diminuição na qualidade genética, assim como ocorre com as outras células do nosso organismo. “Por isso a avaliação da reserva ovariana é importante nas mulheres que querem adiar sua maternidade para além dos 25-30 anos. Fator que está cada vez mais comum dentre as mulheres que priorizam sua profissão e sua vida financeira em detrimento ao casamento e a ter filhos”, reforça o médico.

Exame de imagem mede a reserva ovariana

De acordo com o especialista, um dos exames mais utilizados e indicados para medir a reserva ovariana é a ultrassonografia transvaginal. “Através desse exame de imagem fazemos a contagem dos folículos antrais com tamanho entre 2 e 9 mm. Se a conta resultar um número menor que 8, podemos dizer que há uma baixa reserva ovariana e, consequentemente, um baixo potencial fértil”, exemplifica.

Para o médico, a importância do resultado do ultrassom transvaginal está em poder nortear as mulheres que desejam adiar a sua maternidade e preservar os óvulos resguardando a oportunidade de poder usá-los em época mais oportuna de suas vidas. “Mulheres com baixa reserva de folículos antrais ou aquelas acima de 35 anos devem ser alertadas quanto ao risco desse adiamento e seu futuro reprodutivo. Quando o ovário perde capacidade de produzir óvulos, elas muitas vezes dependerão de programas de doação de óvulos, banco de óvulos, para poderem engravidar”, indica.

Por isso, para evitar surpresas desagradáveis, a avaliação da reserva ovariana e demais questões ligadas à fertilidade na mulher devem fazer parte do check-up de rotina no período da idade reprodutiva. “O check-up anual para a mulher inclui não somente a realização de um conjunto de exames, mas também receber importantes informações e esclarecimentos para melhorar a sua saúde e qualidade de vida”, conclui Luiz Augusto.

Conheça os exames e orientações médicas de acordo com a idade:

• Orientações contraceptivas, evitando gravidez indesejada ou não planejada, principalmente na adolescência;

• Orientações para evitar doenças sexualmente transmitidas, que podem comprometer a futura saúde reprodutiva;

• Indicação da vacina anti HPV – principal causador do câncer do colo uterino – idealmente a ser realizada antes do início da vida sexual;

• Orientações quanto a avaliação da saúde reprodutiva, para aquelas mulheres que desejam adiar a sua maternidade, principalmente para acima dos 35 anos;

• Diagnóstico precoce e/ou controle de doenças benignas como a síndrome dos ovários micropolicísticos, miomas uterinos e endometriose pélvica;

• Prevenção ou diagnóstico precoce de doenças malignas como câncer de mama, colo do útero, endométrio e ovário;

• Preservação da fertilidade com congelamento dos seus óvulos em caso de câncer ou por adiamento voluntário da maternidade para idade acima de 35 anos;

• Prevenção e diagnóstico da obesidade, que é uma doença que pode agravar ou desencadear muitas doenças ginecológicas, desordens hormonais e tem um grande impacto na qualidade de vida e na longevidade.

 

Por Júlia Carneiro
Conversa Coletivo de Comunicação Criativa

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