Preservação da fertilidade masculina e feminina implica em cuidados constantes; entenda como 

13 de julho de 2022

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como infertilidade a ausência de gravidez após 12 meses de tentativas com relação sexual sem métodos contraceptivos. A entidade aponta, ainda, que esse é um problema de saúde global que afeta entre 48 milhões de casais e 186 milhões de pessoas no mundo, correspondendo a 15% da população total do planeta.

A infertilidade atinge homens e mulheres. Por isso, ambos precisam estar atentos aos cuidados necessários a fim de preservar a saúde reprodutiva, bem como o que fazer diante do diagnóstico.

Com o intuito de esclarecer como homens e mulheres podem preservar a saúde reprodutiva, a Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) entrevistou dois especialistas na área. 

HOMENS E HÁBITOS SAUDÁVEIS 

De acordo com o Dr. Renato Fraietta, especialista em Reprodução Humana, os homens acabam tendo mais liberdade para escolher o momento de serem pais – mas nem por isso devem ser negligentes com a saúde reprodutiva. Muito pelo contrário, uma vez que pode ocorrer, em algum momento da vida, uma situação que leve a um quadro de infertilidade.

O homem deve proteger seu potencial fértil para inúmeras situações: desde a possibilidade de escolher ser pai em uma idade mais avançada, até a necessidade de se submeter a um tratamento que pode deixá-lo infértil, como, por exemplo, uma cirurgia, quimio ou radioterapia devido a um câncer”, explica.

Ele assegura, por outro lado, que manter hábitos saudáveis pode fazer a diferença sob a maioria das circunstâncias. “Uma vida reprodutiva saudável é consequência de uma vida saudável”, define. Entre as recomendações, estão a prática regular de atividades físicas, alimentação saudável e proteger-se nas relações sexuais. Também é recomendável evitar práticas nocivas como o tabagismo, o alcoolismo, uso de drogas e anabolizantes. “É imprescindível ir regularmente ao urologista para tratar possíveis doenças que afetam a fertilidade como, por exemplo, a varicocele”, acrescenta. 

Fraietta destaca, ainda, que o trabalho do urologista ou do especialista em Reprodução Humana é de extrema importância no diagnóstico da infertilidade masculina. “Ambos profissionais podem solicitar exames subsidiários como espermograma, prescrever dosagens hormonais, ou lançar mão de exames de imagem ou genéticos, se necessário”, pontua.

O espermograma, segundo ele, é o exame mais importante para avaliar o potencial fértil do indivíduo, porém, ele não é perfeito. A análise seminal avalia o volume ejaculado, a quantidade de espermatozoides, sua motilidade, sua forma e indícios de infecção, no entanto, não garante que o homem seja fértil. “Um espermograma alterado, por si, não significa infertilidade. Assim, os valores devem ser compreendidos dentro de um contexto clínico, inclusive com dados da companheira”, pondera o médico.

Mesmo assim, o Dr. Renato Fraietta indica que o mais importante, em casos de infertilidade diagnosticada, é não se desesperar. “Praticamente todos os casos de infertilidade têm tratamento. Buscar ajuda médica especializada é fundamental para diagnosticar e seguir os próximos passos de acordo com a necessidade de cada situação”, completa.

“Em alguns casos, até mesmo como em tratamentos de doenças mais agressivas, o congelamento do sêmen também pode ser uma ótima alternativa”, assegura.

MULHERES E ACOMPANHAMENTO

Em mulheres, de acordo com o  Dr. Eduardo Pandolfi Passos, que é ginecologista, as causas da infertilidade estão relacionadas a alterações hormonais e anatômicas. Quando a infertilidade tem fundo hormonal, ela é provocada por alterações na tireoide que podem interferir no funcionamento dos ovários; a anatômica está relacionada à formação do útero e às alterações  adquiridas por consequência de infecções que podem resultar em mudanças na função e permeabilidade das trompas

Assim, com o tempo, mais frequentemente as mulheres estão sujeitas a serem acometidas por infecções, bem como ao aparecimento de alterações hormonais. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental. “É necessário ter uma rotina de consultas ao ginecologista, que estará atento às orientações sobre prevenção de infecções sexualmente transmissíveis. Além da busca por condições que possam interferir futuramente na fertilidade, como hábitos de vida e a idade”, ressalta o Dr. Pandolfi. 

O ginecologista reconhece que a maior ênfase na prevenção da infertilidade feminina se respalda no quesito tempo. Isso porque as mulheres nascem com um número limitado de óvulos e, ao longo dos anos, eles diminuem em quantidade e pioram em qualidade. 

Isso explica a dificuldade de gestações por causa da idade. Depois dos 35 anos,  o organismo está mais propenso às alterações genéticas cromossômicas que resultam em dificuldade de engravidar e aumento de abortos –  e esse risco amplia ainda mais a partir dos 40 anos.

“Além da idade, outras condições levam à diminuição da reserva ovariana, como presença da mutação do gene BRCA, doenças autoimunes, endometriose, além de tratamentos tóxicos aos ovários como quimioterapia, imunoterapia e radioterapia”, completa o médico.

Nesse aspecto, o Dr. Pandolfi destaca que é importante, ainda, avaliar constantemente a reserva ovariana, a fim de determinar a dosagem do hormônio antimulleriano. Isso embasará decisões como o congelamento de óvulos antes dos 35 anos, uma das maneiras de preservar a fertilidade.

“Essa é uma informação que deve estar presente nas consultas como  aconselhamento reprodutivo, pois as mulheres têm postergado a idade do primeiro filho, o que aumenta a possibilidade de surgirem dificuldades em obter gestação pela condição ovariana, entre outras”, ressalta.

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