Posicionamentos da SBRA sobre vacinação contra Covid-19 contribuem para o combate à desinformação

23 de março de 2022

Os posicionamentos sucessivos que a Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) vem fazendo ao longo da pandemia da Covid-19, sempre junto com a Rede Latinoamericana de Reprodução Assistida (REDLARA) e a Associação Brasileira de Embriologistas em Medicina Reprodutiva (PRONUCLEO), têm contribuído sobremaneira para combater a desinformação que cerca a imunização contra a doença.

Mais recentemente, por solicitação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a SBRA emitiu uma nova Nota Técnica não só recomendando a imunização em pacientes sob tratamento para engravidar, gestantes e puérperas, como reiterando que não há evidências de que as vacinas afetem o potencial de fertilidade de homens e mulheres.

O comunicado foi endossado por 11 instituições. De acordo com a Dra. Maria do Carmo Borges de Souza, especialista em reprodução humana e integrante do conselho consultivo da SBRA, essas notas reverberam na Anvisa e, também por isso, demonstram a solidez e a credibilidade das instituições. 

“Certamente, a qualidade das análises realizadas para embasar os documentos contribuem para que a agência aceite e receba bem as ponderações”, pontua a especialista.

Inúmeras foram as preocupações com os efeitos da contaminação pelo vírus. Com o impacto sobre a reprodução humana não seria diferente. Por isso, desde o início da crise sanitária, a SBRA montou uma força-tarefa para esclarecer as questões que surgissem sobre o assunto. 

Os pareceres emitidos envolvem um estudo minucioso sobre os mais diversos trabalhos científicos produzidos no período, bem como a análise de uma vasta bibliografia da área.

EFEITOS EM HOMENS E MULHERES

Uma das preocupações iniciais na pandemia, por exemplo, estava relacionada  aos impactos  sobre os aparelhos reprodutores masculino e feminino. “Sabemos, hoje, que homens com infecção ativa da Covid-19 abrigam o vírus por período curto, de 2 a 11 dias, mas os sintomas eventualmente referidos nos órgãos reprodutivos podem ser atribuídos simplesmente à hipertermia e/ou hipóxia. Infecções em remissão apresentaram a detecção do vírus no sêmen em 1,4% versus 6% dos casos avaliados em fase ativa, não parecendo piorar os parâmetros do espermograma”, assegura a médica.

Já nas mulheres, segundo Maria do Carmo, pode-se esperar, em tese, o comprometimento do ovário, útero e vagina, assim como no endométrio e nas mamas, com transtornos menstruais e infertilidade secundária. Mas esses são efeitos que não ficaram claros até o momento e não significaram problemas graves demonstráveis.

“O que ficou  muito claro, para nós, é a severidade da Covid-19, o risco de morte e a possibilidade de desfechos obstétricos adversos na gestação desprotegida. A gravidez é um momento imunológico distinto, no qual o binômio mãe-bebê deve ser levado em consideração, independentemente de fatores basais de co-morbidades da mulher”, afirma a Dra. Maria do Carmo.

Mais recentemente, a questão voltou à tona. Diante disso, outra Nota Técnica foi divulgada. Nela, o posicionamento da entidade (e das demais que a endossaram) se baseou nas  informações de maior evidência até o momento, considerando, por exemplo, trabalhos que analisaram a quantidade de vacinas aplicadas em todo o mundo e os efeitos adversos registrados, estudos que analisaram parâmetros seminais e de ciclos de fertilização In Vitro, entre outras pesquisas de grande relevância.

Com base nisso, o comunicado defende plenamente a vacinação por considerar os dados crescentes acerca da segurança e efetividade das vacinas. “Inclusive durante a gravidez, sobrepondo-se a qualquer potencial de efeitos adversos individuais, raros, descritos para a mulher ou seu bebê”, completa a especialista em reprodução humana.

Segundo a médica, a pandemia gerou, também, reflexos diretos na quantidade de procedimentos que passaram a ser realizados.“Passados dois anos, o cenário da Reprodução Assistida retornou com força. Seja pelo represamento dos casos nos momentos iniciais e sem vacinas, seja pelo período em que os indivíduos ou casais permaneceram  em confinamento, tudo levou à reflexão sobre a importância da família”, afirma a Dra. Maria do Carmo. 

“O impacto da Covid-19, que nos levou pais, parentes próximos e amigos, também nos fez refletir bastante sobre o que é importante em nossas vidas, os laços fundamentais  de convivência e a fragilidade advinda do tempo”, assegura  a médica.

DESINFORMAÇÃO

Os pareceres emitidos também são um forte instrumento de combate à desinformação que cercou toda a crise sanitária, principalmente sobre as vacinas – como as notícias falsas indicando que o vírus incompletamente inativado ou suas partículas teriam potencial capacidade de mudar a informação genética de um indivíduo. 

A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) vem empreendendo uma campanha fortemente voltada a desmentir as notícias falsas e a reforçar a importância da universalidade da vacinação como um bem comum, diante da possibilidade de surgimento de novas variantes se o vírus não for devidamente contido.

“Esse é um exemplo de informação que circula sem qualquer fundamento. Após mais de quatro bilhões de doses de vacinas aplicadas, algumas respostas que já temos são bem tranquilizadoras. Nos EUA, entre mais de 72 milhões de americanas vacinadas, foi registrado apenas um pequeno número de transtornos menstruais leves”, explica a Dra. Maria do Carmo

Também não há relatos de comprometimentos da placenta, alterações perinatais ou pós-natais relacionadas às vacinas com mRNA para as mulheres ou seus bebês. Além disso, mulheres amamentando puderam passar anticorpos protetores para seus bebês uma semana após a segunda dose de vacinas com mRNA.

Já nos homens, a vacinação não teve qualquer influência sobre os parâmetros seminais como concentração espermática, volume seminal ou motilidade dos espermatozoides. 

“Não há volta neste cenário de pandemia, é algo com que vamos lidar por muito tempo ainda. Mas as famílias seguem se formando e assim segue o mundo. Para quem deseja ter filhos, recomenda-se seguir a vacinação tranquilamente. Quem ainda não o fez, precisa completar as doses necessárias. A saúde e a qualidade de vida são essenciais para a fertilidade e as vacinas podem garantir isso”, afirma.

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