Poluição do ar nas cidades afeta a fertilidade, indica estudo

6 de abril de 2022

Nos últimos anos, um número crescente de publicações relatou e debateu a possível associação entre  os produtos químicos desreguladores endócrinos (EDCs) e o declínio da fertilidade humana. 

Os EDCs são substâncias químicas presentes no ambiente, naturais ou sintéticas, que podem alterar o funcionamento do sistema hormonal humano e, por consequência, a saúde. Elas estão presentes em praticamente todos os ambientes. A exposição pode ocorrer, portanto, em áreas urbanas ou rurais, pelo consumo de alimentos e até água.

Um dos meios mais comuns, contudo, é pelo ar – e suas consequências podem afetar  até a capacidade de reprodução do ser humano. Tanto é verdade que um recente estudo com mais de 30 mil homens apontou que a exposição à poluição altera a mobilidade das células sexuais masculinas.

De acordo com a pesquisa publicada na revista científica JAMA Network Open, a pessoa que respira as partículas sólidas e líquidas provenientes da poluição na atmosfera pode sofrer uma alteração nos espermatozoides, o que pode atrapalhar uma possível chegada deles até o óvulo. 

O problema foi identificado por cientistas da universidade chinesa Tongji University ao analisarem 33.876 homens na faixa dos 34 anos,que estiveram expostos a diferentes níveis de poluição do ar.

A conclusão desse estudo acende um alerta preocupante, uma vez que aponta para o uso crescente de produtos químicos artificiais (entre eles, mais de mil são considerados EDCs), intensificando os fatores que afetam a fertilidade dos casais, segundo explica o Dr. João Batista Alcântara de Oliveira, médico associado da SBRA.

“Normalmente, já há um número substancial de fatores ambientais que afetam a fertilidade e a fecundidade dos casais, incluindo compostos de ocorrência natural. Entretanto, os compostos químicos são os que mais preocupam”, explica.

EXPOSIÇÃO E ABSORÇÃO

O cerne da questão, de acordo com o especialista, é que essas substâncias estão absolutamente imersas na realidade das pessoas, pois são encontradas em itens que vão desde utensílios domésticos a produtos de higiene pessoal, ou no processo de fabricação de produtos industriais e agrícolas. “Elas estão, até mesmo, no ar que respiramos”, reitera o médico.

Para ele, a extensa gama de usos significa que suas possíveis vias de absorção no corpo também são amplas. “Absorvemos por inalação, por meio da pele e ingestão de água e alimentos contaminados. O impacto no nosso organismo é proporcional à concentração e à duração da exposição”, completa o Dr. João Batista.

O problema, contudo, não se restringe só à fertilidade masculina. O médico ressalta que, apesar da dificuldade de acesso a estudos dos óvulos em comparação aos espermatozoides, já existem evidências substanciais que confirmam efeito negativo dos agentes poluidores também sobre os órgãos reprodutores femininos. 

“Apesar de os efeitos serem diferentes em homens e mulheres, todos acabam sofrendo os impactos negativos da poluição. Novos estudos podem reforçar ainda mais isso”, garante o ginecologista.

Assim, o especialista entende que a questão envolve, também, as políticas de preservação do meio ambiente – sobretudo nas grandes cidades. “O impacto da nossa exposição a elementos tóxicos sobre a saúde reprodutiva é uma grande preocupação dos tempos em que vivemos. É um problema com o qual  ainda vamos lidar por bastante tempo, visto que as grandes metrópoles tendem a crescer ainda mais. Por isso, a preservação do meio ambiente e do ar que respiramos é tão importante”, defende o médico.

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