Pessoas que planejam ter filhos devem evitar excesso de álcool

14 de fevereiro de 2020

O consumo excessivo de álcool, tão comum no Carnaval, pode prejudicar a fertilidade e dificultar a vida de quem deseja ter filhos biológicos. Enquanto na mulher ele pode interferir em fatores como a produção de hormônios, no homem, há indicativos de que as bebidas alcoólicas possam prejudicar a qualidade e motilidade dos espermatozoides.

“Na mulher, ele altera os níveis dos hormônios responsáveis pela ovulação e interfere no ciclo menstrual e no transporte do espermatozoide e/ou do óvulo pelas trompas uterinas. No homem, apesar de ser assunto controverso na literatura médica, o consumo regular de álcool pode afetar a qualidade dos espermatozoides e diminuir a quantidade e motilidade dos gametas masculinos, reduzindo as chances de gravidez espontânea”, alerta o ginecologista Giuliano Bedoschi, creditado pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA).

Ele explica que as informações disponíveis sobre os potenciais efeitos nocivos do álcool na fertilidade são controversas, principalmente devido à diversidade de bebidas alcoólicas disponíveis e à dificuldade em determinar um limiar de consumo.

“Estudos populacionais publicados por diferentes países demonstraram que mulheres que consomem mais do que duas doses de bebida alcoólica por dia apresentam maiores taxas de infertilidade. Nesse caso, o risco aumenta aproximadamente 60% para elas”, afirma o ginecologista.

A DOSAGEM – A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece que uma dose de bebida alcoólica padrão possui 10 a 12g de álcool puro, o equivalente a uma taça de vinho, uma dose de destilado ou uma lata de cerveja. Nos homens, o limiar de risco para um impacto na infertilidade masculina parece ser 30g de álcool por dia, equivalentes a três taças de vinho. “O consumo excessivo de álcool tem sido sugerido como fator de risco para a infertilidade masculina”, explica o médico.

Para quem vai curtir o Carnaval e está planejando uma gestação, Bedoschi deixa um recado. “O ideal é evitar ou reduzir o consumo de bebidas alcoólicas de três a seis meses antes da gestação ou do início do tratamento de fertilidade assistida. O consumo excessivo pode diminuir as taxas de gravidez espontânea e o índice de sucesso dos tratamentos de fertilização in vitro”, complementa. 

PERIGO NA GESTAÇÃO E NO ALEITAMENTO MATERNO – Para as mulheres grávidas, a advertência dos especialistas é clara: o consumo de álcool deve ser evitado durante toda a gravidez. “O álcool apresenta efeitos adversos no desenvolvimento do feto. Não existe uma dose que seja considerada segura para o consumo da futura mamãe. O excesso pode causar malformações no bebê, resultando na síndrome alcoólica fetal – anomalias faciais, restrição de crescimento do feto, alterações de desenvolvimento do seu sistema nervoso central, anormalidades comportamentais inexplicáveis e defeitos congênitos”, adverte Bedoschi. 

Além disso, o consumo de álcool na gravidez aumenta o risco de abortamento, parto prematuro, morte fetal, entre outras complicações. As restrições valem também para as mulheres que estão amamentando. O álcool pode ser transferido para o bebê por meio do leite materno, prejudicando o desenvolvimento neurológico e motor da criança e interferindo no sono e na aprendizagem do lactente.

CONSUMO MODERADO – Um recente estudo realizado por cientistas da Dinamarca, publicado na revista científica Human Reproduction, em 2019, revelou que a ingestão semanal média de álcool, de baixa a moderada, não está significativamente associada à chance de alcançar uma gravidez clínica ou um nascimento vivo após os ciclos de tratamentos de reprodução assistida. Durante cerca de cinco anos e meio, pesquisadores avaliaram dados de 1,7 mil mulheres e possíveis parceiros em tratamento de fertilidade.

“De maneira geral, o consumo leve ou moderado de álcool aparentemente não impacta de maneira negativa nos desfechos dos tratamentos de reprodução assistida. Porém, vale lembrar que o seu consumo também pode estar associado com outras mudanças de estilo de vida que conhecidamente podem impactar negativamente a fertilidade, como tabagismo, sedentarismo ou sobrepeso e obesidade”, finaliza o especialista.

Por Fernanda Matos, Conversa – Estratégias de Comunicação Integrada

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