Oncofertilidade ajuda mulheres a engravidar após tratamento quimioterápico

7 de outubro de 2019

Os tratamentos contra o câncer já não são uma sentença de infertilidade para as mulheres em idade fértil que acalentam o desejo de ser mãe. Para elas, a maternidade é algo possível graças à oncofertilidade – área da reprodução assistida que preserva a fertilidade nas pacientes em tratamento contra a doença.

As drogas quimioterápicas, a cirurgia e a radioterapia podem promover lesões nos ovários, impactando ou até destruindo a capacidade reprodutiva. “No caso da quimioterapia, essa lesão pode atingir os óvulos e os folículos ovarianos. Já a radioterapia pode comprometer a fertilidade, no caso das mulheres, porque provoca a destruição dos folículos primordiais, o que causa a diminuição da reserva de óvulos ou uma falência ovariana”, explica Dr. Álvaro Ceschin, especialista creditado pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA).

Segundo ele, o tempo é precioso para as pacientes, pois o encaminhamento ao especialista em reprodução humana e os procedimentos de criopreservação  (congelamento de óvulos, tecido o ariano ou embriões) devem ser realizados antes do tratamento escolhido no combate ao câncer. “A visão multiprofissional é absolutamente essencial neste tipo de paciente. Por isso, é de fundamental importância a interação entre oncologistas, especialistas em reprodução humana e demais profissionais envolvidos nas áreas”, afirma.

De acordo com a presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), Hitomi Nakagawa, não é seguro engravidar logo após o tratamento do câncer de mama, pois existe uma correlação entre alguns tipos de câncer de mama com os hormônios produzidos pelos ovários, que são elevados durante a gestação. “Quando há a suspeita ou o diagnóstico desse tipo de câncer, evita-se inclusive o uso de substâncias com hormônios como o anticoncepcional, por exemplo. Eventualmente, pode até ser indicado bloquear a produção ovariana de hormônios com medicamentos”, explica a médica.

Após o tratamento e passado o período crítico de risco de recidiva, ou seja, do retorno do câncer, a mulher corre menos riscos ao engravidar. “Nós realizamos o congelamento de óvulos ou embriões após a cirurgia e antes de um tratamento complementar como a quimioterapia. Em cerca de duas semanas os óvulos são captados e podem permanecer congelados nas clínicas de reprodução assistida até que a mulher seja liberada para engravidar”, enaltece Hitomi.

Para se prevenir do câncer de mama, a médica sugere um padrão de vida saudável, com alimentação equilibrada e adesão aos exercícios físicos e um acompanhamento regular com o ginecologista. “É muito importante que as mulheres realizem exames clínicos e de diagnóstico por imagem, quando indicado, para que não ocorra a detecção tardia com a doença em estágio avançado”, diz.

Esclarecendo dúvidas – A oncofertilidade ainda gera muitos questionamentos e, abaixo, Dr. Álvaro Ceschin respondeu alguns dos principais.

1 – Como o tratamento contra o câncer afeta a fertilidade? 

As gônadas (ovários e testículos) têm células que estão em fase de divisão celular. As drogas quimioterápicas atuam justamente sobre as células que estão nesse processo, atingindo tanto as cancerígenas, como as saudáveis, no caso as espermatogônias (nos testículos) e os folículos (nos ovários). 

2 – É correto afirmar que nem todos os tumores e tratamentos oncológicos afetam a fertilidade dos pacientes?

Depende muito do tipo histológico e do estado da neoplasia. A idade no momento do tratamento, como a quimioterapia, também é outro fator que pode influenciar na possibilidade de gestação espontânea ou infertilidade.

3 – Quais são os fatores considerados na hora da escolha do tratamento adequado para quem deseja engravidar?

A idade e o desejo reprodutivo seriam uns dos principais fatores a serem avaliados, além do tipo e grau de neoplasia que o paciente está enfrentando. 

4 – Quais são as recomendações que o senhor deixa para as mulheres que estão vivendo essa situação neste momento?

Para o paciente, o tempo é algo precioso que não pode ser desperdiçado, pois o encaminhamento ao especialista em reprodução humana e os procedimentos de criopreservação devem ser iniciados antes dos procedimentos de combate ao câncer, como a quimioterapia, a radioterapia ou mesmo a cirurgia.

 

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