Nutricionista explica como a alimentação influencia na fertilidade

30 de março de 2022

A alimentação e a fertilidade estão diretamente relacionadas e podem servir como indicador de saúde e qualidade de vida de uma pessoa. Entretanto, é necessário tomar cuidado com diversos mitos que cercam essas duas áreas. Algumas “fórmulas milagrosas” podem acabar tendo papel inverso e, até mesmo, atrapalhar o sonho de ter filhos.

De acordo com a nutricionista Yasmim Amorim, especialista em saúde da mulher, quando se pensa nos grandes mitos da fertilidade e nutrição, o maior deles é que apenas cuidando da alimentação é possível engravidar. “Sabemos que uma boa qualidade de vida e cuidado com a alimentação podem aumentar as chances de uma possível gestação. Mas não existe algo específico, dentro da alimentação, que tenha esse poder de fazer engravidar”, esclarece.

Segundo ela, existem muitas lendas em torno de “fórmulas milagrosas” que, supostamente, ajudariam a ter filhos. “Fala-se muito sobre o chá de inhame ou o elixir de inhame, o chá ou o suco da casca do abacaxi, por exemplo. O que há de verdade é que esses alimentos, hipoteticamente, estimulariam  a ovulação, ajudando na gravidez. Mas já sabemos que  não existe um alimento que, por si só, faça esse processo”, acrescenta.

A nutricionista, contudo, explica que não há contraindicações para o consumo deles. O chá da casca do abacaxi, por exemplo, pode ser consumido – desde que seja feito com a casca de uma fruta orgânica, pois os agrotóxicos, por sua vez, atrapalham a fertilidade. “É muito melhor cuidar da alimentação como um todo, ter uma base na alimentação, do que se preocupar apenas com tomar o chá da casca. O chá de inhame é outra opção riquíssima em nutrientes e teria o poder de ajudar também. Já o elixir tem álcool na composição e isso, sim, prejudica a fertilidade. Colocar inhame dentro do cardápio de refeições tradicionais traz mais benefícios”, recomenda.

Suplementos alimentares, segundo Yasmin, também não têm eficácia comprovada para aumentar as chances de gravidez . “Existem várias opções no mercado que prometem aumentar a fertilidade. Além disso, há quem só queira tomar ácido fólico para melhorá-la. Nem sempre eles têm o que o paciente, de fato, precisa para melhorar a saúde como um todo – e, por consequência, para aumentar a fertilidade. Às vezes, ao invés de ajudar, esses suplementos podem até causar prejuízos. Por isso, é necessário procurar profissionais porque eles vão verificar se existe a necessidade e qual a suplementação indicada”, explica a nutricionista.

BENEFÍCIOS DA ALIMENTAÇÃO

A especialista defende que a Nutrição pode melhorar a qualidade do óvulo, da implantação do embrião e a qualidade do endométrio. Estar com o corpo nutrido, com os nutrientes essenciais, vai ajudar muito na saúde do bebê. “Existem alimentos que ajudam na fertilidade, sim, mas não de maneira específica”, afirma.

Mas, afinal de contas, quais são os alimentos que podem ajudar na gravidez? Yasmin é enfática: “Uma alimentação com base mediterrânea, que inclua proteínas brancas e gorduras boas como castanhas, nozes, amêndoas, azeite de oliva, abacate e coco. Essas gorduras boas vão ajudar na saúde do endométrio. Nós também temos alimentos importantes como frutas, verduras e legumes ricos em vitamina C, além de frutas cítricas, como laranja, limão, maracujá, kiwi, acerola. Também ajudam as verduras escuras como brócolis, couve, espinafre e alimentos que contribuem para a eliminação de toxinas, como couve-flor, nabo, rabanete, entre outros”, listou.

É necessário, contudo, ter atenção ao que pode prejudicar a fertilidade. “Cafeína e bebida alcoólica, por exemplo, quanto menor o consumo, melhor. Comidas industrializadas devem ser evitadas, por causa dos elementos químicos. Nosso fígado já filtra as toxinas, só que se ingerimos muitos industrializados, esse processo fica sobrecarregado e passamos a ter dificuldade para eliminá-las. O consumo de carne vermelha precisa ser controlado, pois ela tem uma presença grande de ácido araquidônico e isso também pode ser prejudicial”, alerta Yasmin

O ideal, de acordo com a nutricionista, é ter, pelo menos, de 3 a 6 meses de preparo para a gestação. “É necessário ter uma programação metabólica da gestação, nutrir ao máximo o nosso corpo e limpar essas toxinas para ter uma gestação saudável”, frisa.

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