Mulheres fumantes têm menos chances de engravidar mesmo com fertilização in vitro

27 de agosto de 2019

Organização Mundial da Saúde mostra que 15 a 20% das mulheres fumantes estão em idade fértil

“As mães fumantes podem determinar prejuízos incalculáveis para o futuro bebê. O feto não tem escolha; as mães têm”. O alerta do médico Carlos Alberto Link, creditado pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), é feito na semana em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto. 

Enquanto o Brasil figura em oitavo lugar no ranking do número absoluto de fumantes – sendo 11 milhões de homens e sete milhões de mulheres, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) -, estimativas apontam que de 15 a 20% das mulheres fumantes estão em idade fértil. 

Além de ser o causador de uma série de doenças crônicas (como no coração, vasculares, pulmonares e alguns tipos de câncer), o fumo tem influência direta na fertilidade masculina e feminina. “Quem planeja engravidar deve suspender o uso do tabaco o mais breve possível, de preferência um ano antes. Quem já está grávida deve parar imediatamente. Caso não consiga, é necessário procurar ajuda especializada para evitar as consequências”, aconselha o médico. 

Nas mulheres, segundo explica Carlos Alberto, o cigarro interfere na queda da reserva ovariana e pode até antecipar a menopausa em um a quatro anos. Ele acrescenta que o hábito de fumar altera negativamente o tempo para alcançar a gestação.

“Os componentes do tabaco têm efeitos nocivos diversos sobre as células germinativas. Entre eles, a nicotina, o monóxido de carbono e o cianeto, que podem causar alteração circulatória e levar à insuficiência placentária – responsável pelo retardo de crescimento intrauterino do feto”, explica. “As taxas de gravidez ectópica (fora do útero) aumentam nas mulheres que fumam”, completa. 

CONSEQUÊNCIAS PARA O TRATAMENTO DE RA – A nicotina pode afetar diretamente os tratamentos de reprodução assistida, uma vez que as mulheres que fumam podem necessitar de mais medicações específicas para as Fertilizações in Vitro quando comparadas às não fumantes.  

Além disso, estudos mostram que a taxa de fecundação em fumantes é cerca de 30% menor. “Quando comparadas às não fumantes, mulheres tabagistas necessitam duas vezes mais ciclos de fertilização in vitro para engravidar”, acrescenta o médico. 

ORIENTAÇÕES ÀS FUMANTES DE CANNABIS – O especialista também alerta que é preciso falar sobre a cannabis, atualmente a droga mais consumida no mundo. De acordo com ele, o uso do entorpecente por mulheres, mesmo que de maneira eventual, pode aumentar o risco de infertilidade por anormalidades na ovulação. 

“As taxas de abortamento também são superiores. A maconha atravessa a barreira placentária”, explica. 

E NO HOMEM? No sexo masculino, o tabagismo pode provocar alterações na quantidade e na qualidade dos espermatozoides, o que diminui a capacidade de fertilizar os óvulos. Isso sem falar na interferência no sistema circulatório, o que pode levar à disfunção erétil.

Ainda segundo o especialista, homens nascidos de mães fumantes têm menor quantidade de espermatozoides. “Ou seja, além de afetar o bebê na sua formação o fumo também poderá reduzir a fertilidade das gerações futuras”, afirma.

Já para os consumidores de cannabis, a substância pode afetar negativamente a resposta sexual, aumentando a impotência. “A produção, a qualidade e a atividade dos espermatozoides também podem ser comprometidas”, finaliza.

Por Fernanda Matos – Conversa – Estratégias de Comunicação Integrada. 

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