Março amarelo: SBRA recomenda manter tratamento para infertilidade de pacientes com endometriose apesar da pandemia

3 de março de 2021

Como não há evidências suficientes para incluir portadoras de endometriose no grupo de risco da Covid-19, a orientação é seguir o tratamento visando diminuir impactos negativos da pandemia na busca pela gravidez

Apesar da endometriose ser considerada um mal crônico, não há evidências científicas que sugiram que mulheres portadoras da doença tenham risco aumentado de contrair infecção pelo vírus SARS-CoV-2 ou aumento do risco de desenvolvimento da Covid-19. O alerta é da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), engajada no “Março Amarelo”, mês de conscientização sobre a endometriose. Muitas pacientes acometidas pelo problema, e que buscam tratamento contra infertilidade, têm sofrido algum tipo de impacto durante a pandemia do novo Coronavírus. 

Para esclarecer esse e outros aspectos da doença, Marina Barbosa, ginecologista e especialista em reprodução humana da SBRA, participará do EndoConectad@s, evento virtual organizado pela jornalista e autora do blog A Endometriose e Eu, Caroline Salazar, capitã no Brasil da Marcha Mundial pela Conscientização da Endometriose – EndoMarcha. O webinar acontecerá no dia 13 de março, das 11h às 15h, e contará com a participação de especialistas, portadoras e familiares de portadoras da doença. Inscrições e informações sobre o EndoConectad@s podem ser obtidas aqui

Já a EndoMarcha 2021 será realizada no dia 27, com a participação de diversos países. As informações sobre o evento on-line serão divulgadas no blog e no perfil do Instagram de A Endometriose e Eu ao longo do mês de março. 

SOBRE A DOENÇA – Estima-se que cerca de 10% das mulheres em idade fértil são acometidas pela endometriose, doença caracterizada pela presença de um tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina. Os sintomas podem incluir cólicas fortes, inclusive fora do período menstrual; dor durante e após as relações sexuais (dispareunia); fadiga/cansaço extremos; inchaço abdominal; dor e/ou sangue nas fezes e na urina. A enfermidade é uma das principais causas de infertilidade feminina.

A comunidade médica tem se debruçado na discussão de que a endometriose pode ser uma doença autoimune, o que debilitaria o sistema imunológico da paciente, mas ainda não se chegou a qualquer conclusão sobre esse tema. Por isso, as evidências que existem são insuficientes no que tange a inclusão de portadoras de endometriose no grupo de risco da Covid-19. 

“Em caso de infecção pelo novo Coronavírus, não há evidências de que isso possa piorar o quadro de endometriose”, afirma Marina Barbosa. No entanto, ela explica que o cuidado das pacientes acometidas pela doença mudou durante a pandemia, ocasionando uma redução na qualidade de vida dessas mulheres devido ao atraso no diagnóstico e/ou tratamento com a diminuição no volume de atendimento nos consultórios. “Essas pacientes podem ter ficado sem acompanhamento médico devido às restrições de isolamento social. Além disso, podem ter tido atraso na realização de exames, cirurgias e até mesmo tratamento de infertilidade, que ficaram suspensos por alguns meses no ano de 2020”, enfatiza.

ENFRENTANDO A ENDOMETRIOSE NA PANDEMIA – Apesar das portadoras de endometriose não estarem incluídas no grupo de risco para Covid-19, não significa que não devam tomar as medidas de prevenção à doença. A recomendação da SBRA para as mulheres que estão pensando em iniciar tratamento para engravidar é de que vale a pena continuar os planos apesar da pandemia, seguindo os protocolos de segurança. 

“Não há razão para atrasar tentativas de gravidez ou tratamentos de reprodução assistida. Além disso, pacientes que estão tentando engravidar ou que farão tratamento podem tomar a vacina contra o novo Coronavírus”, explica Marina Barbosa. Especificamente para aquelas que já estão em pleno tratamento e tem restrições devido ao fator idade, o atraso no tratamento pode acabar piorando a reserva ovariana e diminuir as chances de sucesso no tratamento. 

Giuliano Bedoschi, ginecologista, obstetra e especialista em reprodução assistida creditado pela SBRA, chama a atenção para a importância do diálogo entre médico e paciente para discutir o tratamento no contexto da pandemia. “As pacientes devem discutir com os médicos especialistas em reprodução humana as necessidades específicas do seu caso. A decisão sobre o início ou possibilidade de adiamento deve ser individualizada. Em algumas pacientes o atraso poderá impactar negativamente as chances de sucesso para gravidez. Em outros casos, um eventual atraso poderá não reduzir as chances de sucesso de maneira significativa”, explica.

Como forma de minimizar os riscos de contaminação, ele ressalta o uso dos serviços de saúde à distância. “Atualmente, contamos com o recurso da telemedicina que pode reduzir os riscos de exposição à contaminação dos pacientes, limitando o número de visitas médicas presenciais”, explica Bedoschi.

Como a endometriose é uma condição associada a altos níveis de estresse crônico, durante a pandemia as inseguranças e incertezas podem ter aumentado o nível de estresse das pacientes. Para driblar a ansiedade, os profissionais recomendam a adoção de hábitos saudáveis e outras alternativas. 

“Pacientes com endometriose podem experimentar aumento da ansiedade, seja imposta pela dificuldade de acesso ao tratamento médico, seja devido às próprias incertezas do tratamento de infertilidade. Essas pacientes devem ser encorajadas a realizar estratégias alternativas, como melhorar a qualidade do sono, fazer atividade física de baixa intensidade (incluindo yoga e exercícios pélvicos), mudanças dietéticas, exercícios de relaxamento e meditação”, orienta Marina Barbosa.

Para Bedoschi, uma maior consciência das estratégias de autoconhecimento pode ajudar as pacientes. “Essas estratégias existem há muito tempo, mas foram subutilizadas, tais como mindfulness (atenção plena), prática de exercício físico e dieta podem auxiliar muito as pacientes durante a pandemia”, conclui.

Por Fernanda Matos, Conversa – Estratégias de Comunicação Integrada

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