Infertilidade masculina: por que falamos pouco sobre ela?

6 de agosto de 2021

Permeia um mito no imaginário coletivo quando o assunto é infertilidade. Geralmente associada às mulheres e a sua capacidade de gerar vida, pouco se fala sobre a infertilidade masculina. Entretanto, a infertilidade é uma patologia do sistema reprodutivo que afeta a capacidade do corpo de se reproduzir e atinge tanto mulheres quanto homens. 

Ainda que ambos dividam igualmente a responsabilidade reprodutiva, as mulheres ainda são as primeiras a iniciarem a investigação, após um ano de tentativas para engravidar. “Existe em nossa sociedade a ideia de que a mulher é responsável pela infertilidade e são elas que normalmente buscam ajuda profissional. Porém, não podemos deixar de lado a investigação da infertilidade masculina”, declara o doutor Fábio  Firmbach Pasqualotto, urologista e membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA). 

Causas para a infertilidade masculina

Existem várias causas para a infertilidade masculina. Conforme explica o urologista  Fábio  Firmbach Pasqualotto, a principal condição de infertilidade, hoje detectada na maioria dos pacientes, é a varicocele, dilatação anormal das veias que drenam o sangue testicular. “De 30 a 40% dos pacientes que estão tentando engravidar, a causa da infertilidade é a varicocele”, explica.

Infecções por clamídia ou gonorreia, Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e assintomáticas, podem tanto dificultar a passagem dos espermatozoides por obstrução quanto diminuir o número total deles, causando a infertilidade masculina.

Alterações genéticas na produção de espermatozoides, tabagismo e sedentarismo também estão na lista da infertilidade masculina. “O tabagismo pode afetar a qualidade do sêmen. Porém, outros fatores podem tornar o homem infértil, como envelhecimento, que leva à redução na produção de espermatozoides e de esperma. O ideal é investigar todas as causas”, afirma o doutor Fábio  Firmbach Pasqualotto.

Consequências psicológicas da infertilidade masculina

O estigma em discutir a infertilidade masculina está desde as convicções de que desempenho sexual está atrelado a fertilidade até a pressão social em compartilhar o problema com familiares e amigos. “A disfunção erétil, desempenho sexual e fertilidade são coisas totalmente diferentes. Porém, as consequências emocionais para o homem, causadas pela pressão familiar nessa tentativa de ter um filho, bem como o estresse podem gerar uma disfunção erétil psicogênica. E raramente os homens compartilham isso com outros homens”, comenta o médico.

É o caso de José Sousa*, que desenvolveu uma disfunção erétil durante o tratamento de reprodução assistida. “Eu não conseguia ter ereção, muito menos ejacular. Lembro que em um dos espermogramas, em que é feita a coleta do sêmen por meio da masturbação, eu tive uma crise de choro. E, nesse caso, as mulheres apesar de terem exames muito mais invasivos, têm mais apoio emocional dos amigos e parentes. O homem nem comenta isso com os amigos, pois ele é considerado ‘frouxo’”, conta.

Em entrevista para a CNN Internacional, o doutor David Reichman, professor associado de medicina reprodutiva no Centro de Medicina Reprodutiva Ronald, nos Estados Unidos, explica que a fertilidade ainda é um tabu entre homens. “Por muito tempo, tem sido mais raro ver um homens expressando suas dores. E acho que, para os homens, a capacidade de reprodução está tão ligada a sua masculinidade entre aspas e, portanto, é uma ameaça real ao ego masculino e não deveria ser.”

Ainda segundo o urologista Fábio Firmbach Pasqualotto, as consequências emocionais podem ser evitadas com apoio médico e familiar. “A relação médico e paciente é fundamental pra qualquer forma de tratamento. É preciso dar abertura para que esse paciente fale e discuta seus medos e ansiedades. Além disso, o bom andamento de todo processo de reprodução assistida depende da relação harmoniosa entre homem e mulher, evitando cobranças dos dois lados e ampliando a conversa entre o casal. ”, conclui.

* Nome alterado para preservar a identidade e integridade do paciente

Por Luara Nunes, Conversa – Estratégias de Comunicação Integrada

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