Homens infectados com Covid-19 podem ter a capacidade reprodutiva reduzida, aponta estudo

17 de junho de 2022

Um estudo realizado pela Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, e publicado pela American Journal of Epidemiology, reiterou que a vacina contra a Covid-19 não provoca infertilidade nas pessoas. Entretanto, a pesquisa constatou que homens que foram infectados com o vírus podem ter a capacidade reprodutiva reduzida. Tais conclusões foram debatidas no  1º Journal Club deste ano, realizado pela Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) no mês passado.

De acordo com o Dr. Waldemar Carvalho, especialista em Reprodução Humana e integrante da SBRA, os pesquisadores perceberam que, entre os homens que já haviam contraído a doença e que apresentaram alguma alteração na fertilidade, foi observado um crescimento de casos de inflamação do trato genital masculino, além de orquite, epididimite e prostatite. 

Para o especialista, o estudo reforça a importância de uma investigação em  pacientes que já foram infectados pelo coronavírus antes do início de um tratamento de Reprodução Assistida (RA). “Por isso, eu recomendo  aos homens que contraíram o vírus e têm o desejo de serem pais que procurem um profissional da área”, afirma o médico.

Segundo ele, nesses casos indica-se um exame de espermograma. “O teste analisa as condições físicas e a composição do sêmen humano,  avaliando, assim, a função produtora do testículo e problemas de esterilidade masculina”, explica.

MAIS ESTUDOS

O especialista em RA reforça que nos casos de quem já foi infectado pelo vírus de forma branda ou moderada, com exame de verificação sem alterações, está liberada a continuidade do tratamento de fertilização. Porém, ele ressalta que estudos complementares ainda precisam ser realizados.

“É bem difícil apontar um tratamento padrão, porque ainda não existe na literatura médica uma forma de comprovar que a Covid-19 pode causar sequelas a ponto de uma paciente não engravidar. Nosso desafio é saber se a Covid vai interferir na taxa de gravidez e de aborto”, ressalta.

Por isso, o Dr. Waldemar assegura que o tratamento deve levar em consideração a gravidade da doença na pessoa. “Para esse paciente, que foi ou ainda está infectado pelo vírus e que vai ser submetido à anestesia para retirada dos óvulos ou dos espermatozóides, é preciso verificar se não houve nenhum acometimento pulmonar ou nenhum acometimento clínico relacionado à trombose que interfira no resultado do tratamento ou que traga risco à saúde do paciente”, pondera.

INFERTILIDADE FEMININA

Os efeitos da Covid-19 a longo prazo no aparelho reprodutor feminino ainda são desconhecidos, mas os dados apontam que não há nenhuma variação na fertilidade. “O primeiro passo no caso das pacientes que já testaram positivo para o vírus é realizar um exame hormonal para verificar a reserva ovariana e outro para analisar o útero”, recomenda o Dr. Waldemar.

Desde o início da pandemia de Covid-19, em março de 2020, o Brasil já acumula a marca de 31,4 milhões de infectados pela doença. A forma mais eficaz de evitar o contágio pelo vírus é adotar os cuidados já conhecidos, como uso de máscara e de álcool em gel, além de estar em dia com a vacinação. “A prevenção ainda é o melhor tratamento”, garante o médico.

 

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