Hoje a Reprodução Assistida realiza o sonho de ter um filho em diversos casos

2 de janeiro de 2018

O Brasil foi pioneiro na América Latina no uso Fertilização in Vitro (FIV), com o nascimento da Anna Paula Caldeira em 1984. A criança, que veio ao mundo seis anos depois do primeiro relato de nascimento por meio da reprodução assistida no mundo, é considerada a 700ª gerada por meio desse método. A partir desse primeiro procedimento, os avanços tecnológicos permitem cada vez maiores taxas de sucesso no País. É o que indica os dados mais recentes do Relatório do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), elaborado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Fonte: Relatório do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio) (Anvisa)

 

 

Como chegamos aqui?

O início da Fertilização in Vitro ocorreu em meados de 1890 quando o Dr. Walter Heape, da Universidade de Cambridge, Inglaterra, reportou a primeira transferência embrionária (TE) entre espécies de coelhos, dando origem a uma prole saudável. “Apesar de esses embriões terem sido obtidos após reprodução natural, a possibilidade de retirada de embriões de um animal e transferência para outro foi fundamental para o desenvolvimento de técnicas de FIV”, lembra Edson Borges, especialista creditado pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida.

Após mais de 40 anos da primeira transferência de embriões, pesquisadores das Universidades de Cambridge e Harvard, nos Estados Unidos, reportaram a primeira fertilização de óvulos de coelhos com espermatozoides em laboratório, em um vidro de relógio. Por isso foi chamada de Fertilização in Vitro. “Desde então, o procedimento consiste basicamente na coleta de óvulos e espermatozoides para a fecundação do embrião em laboratório, com posterior transferência para o útero materno. Esse processo ainda é utilizado para realizar o sonho de paternidade e maternidade de diversas pessoas em diferentes situações”, reforça o médico.

Depois de diversas pesquisas para a realização da FIV em humanos, em 1978 nasce o primeiro bebê humano a Louise Brown, na Inglaterra. “A partir desse momento, numerosos avanços ao longo da década de 1980 permitiram significativo desenvolvimento da Reprodução Assistida. Entre os destaques, está a primeira gravidez com útero de substituição, conhecido como “barriga de aluguel” em 1984, nos Estados Unidos, por exemplo”, explica Borges.

Marcos na história da Reprodução Assistida

Em 1992 ocorreu mais um grande marco na medicina reprodutiva que permitiu um avanço substancial em casos de infertilidade masculina: a primeira gestação após a injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI). “Nesta técnica, um único espermatozoide é injetado diretamente no óvulo, o que leva a um aumento substancial nas taxas de fertilização em relação à FIV e tem resultados melhores do que o procedimento utilizado anteriormente”. A primeira gravidez de ICSI reportada no Brasil ocorreu dois anos depois, em 1994.

Para a comunidade médica, o desenvolvimento da vitrificação – técnica de congelamento – pode ser considerado outro importante momento para a reprodução assistida. No Brasil, o início desta técnica em embriões data do ano de 2005. “Com esse método a sobrevivência de embriões após descongelamento é de mais de 95%, muito acima do que era obtido com a técnica de congelamento lento utilizada anteriormente. A vitrificação também foi aprimorada para o congelamento de óvulos, como forma de preservar a fertilidade feminina e postergar a gravidez”, esclarece o médico.

Os avanços não param. Em 2014, o relato de nascimento após transplante de útero na Suécia abriu uma nova possibilidade para mulheres que não poderiam gestar. “Atualmente a FIV passou a ter uma importância social muito relevante, indo além dos de problemas médicos. A possibilidade de tratamento em casais homoafetivos, homens e mulheres solteiros criou novos núcleos familiares, condição inexistente antes do advento das Técnicas de Reprodução Humana”, conclui Edson Borges.

 

 

Foto: O primeiro bebê de FIV do mundo, Louise Brown com o tubo de ensaio no qual foi concebida.
Créditos da foto: https://goo.gl/4Pjp5V

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