HIV, HPV e Chlamydia podem comprometer fertilidade masculina, apontam especialistas

4 de dezembro de 2020

A boa notícia é que nas sequelas reprodutivas graves por essas doenças, os portadores podem buscar a reprodução assistida para tentar uma gravidez

Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como HIV, HPV e Chlamydia trachomatis, podem ser responsáveis por alterar a qualidade do sêmen, sendo uma possível explicação para casos de infertilidade masculina sem causa aparente. Essa é uma das conclusões de um artigo sobre o impacto dessas doenças na fertilidade do homem, publicado no Jornal Brasileiro de Reprodução Assistida (JBRA Assisted Reproduction), da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), de autoria de Ana Carolina Goulart, Hana Carolina Farnezi, Juliana França, Adriana dos Santos, Mariana Ramos e Maria Lectícia Penna, da Faculdade de Ciências Humanas, Universidade FUMEC, Belo Horizonte (MG).

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem mais de 30 espécies de bactérias, vírus, protozoários e fungos que podem ser transmitidos por contato sexual e, a cada dia, mais de um milhão de pessoas são infectadas. Além de serem responsáveis por doenças agudas e graves com consequências físicas e psicológicas, inclusive a morte, essas patologias podem estar associadas à infertilidade masculina, chegando a ser a causa de cerca de 15% dos casos. O objetivo do estudo foi investigar especificamente a relação entre o vírus do HIV e do HPV e a Chlamydia trachomatis e a dificuldade do homem de gerar uma gravidez naturalmente. 

De acordo com o artigo, os processos infecciosos associados ao HIV, ao HPV e à Chlamydia trachomatis podem interferir na qualidade seminal causando infertilidade masculina. O urologista Filipe Tenório Lira Neto, especialista em fertilidade masculina e membro da SBRA, explica como os agentes causadores dessas doenças podem interferir na fisiologia do aparelho reprodutor masculino e prejudicar o sêmen em termos de motilidade, concentração, morfologia e número de espermatozoides. 

“As infecções por clamídia podem provocar obstrução dos epidídimos e causar azoospermia (ausência de espermatozoides no sêmen). Além disso, a bactéria pode ser encontrada dentro dos espermatozoides, diminuindo a motilidade e alterando sua morfologia. Já o HPV pode ligar-se aos espermatozoides, diminuindo a sua motilidade e causando danos ao seu DNA. No caso do HIV, a sua presença está ligada à diminuição da qualidade do sêmen, mas ainda não está claro se isso decorre do próprio vírus, de infecções oportunistas ou de medicações”, explica o urologista. 

Gravidez, um sonho possível – Apesar dos danos causados, existe uma boa notícia para homens infectados por HIV, HPV ou Chlamydia trachomatis que desejam ser pais biológicos, mesmo que o acometimento com repercussão no aparelho reprodutor masculino seja severo: o sonho pode ser realizado por meio da reprodução assistida. “Pacientes infectados por clamídia podem ser medicados com antibióticos e submetidos a todos os tratamentos de reprodução humana sem nenhuma restrição. O mesmo se aplica aos pacientes com HPV, desde que não apresentem nenhuma lesão verrucosa ativa”, explica Lira Neto.

No caso dos portadores de HIV, ele afirma que podem ser submetidos à reprodução assistida desde que tenham a doença controlada com a terapia antirretroviral, apresentem boa imunidade, sem infecções associadas e de preferência com ausência do vírus no sangue. “Mesmo assim, os cuidados com a manipulação dos gametas e embriões devem ser redobrados para evitar contaminação. As opções de tratamento para casais sorodiferentes (a mulher soronegativo e o homem portador do vírus HIV) são a inseminação intrauterina e a fertilização in vitro”, explica o especialista.

Graças ao avanço da medicina, os procedimentos de reprodução assistida têm sido cada vez mais bem-sucedidos, oferecendo mais segurança para os casais submetidos ao tratamento. “Por exemplo, hoje, exames moleculares mais precisos identificam facilmente a clamídia, o HPV e outros patógenos no sêmen. No caso do HPV, a vacinação contra o vírus pode ajudar a erradicar os tipos mais agressivos, que também são os mais associados à infertilidade masculina. Em relação ao HIV, estudos recentes têm demonstrado que, para casais em que os homens apresentem carga viral indetectável, imunidade normal e ausência de outras infecções, a gravidez natural pode ser uma opção segura”, esclarece o urologista.

No entanto, a melhor atitude em relação às ISTs continua sendo a prevenção e a busca de orientação médica em caso de suspeita de infecção. “Usar preservativos é a maneira mais segura e eficaz de prevenir ISTs, além de evitar situações de risco, como relação sexual sob uso de drogas ou álcool. É importante manter a higiene diária do pênis e ficar atento a sinais e sintomas de infecções do sistema genital, como verrugas, ardência ao urinar, dor durante a relação sexual e feridas no pênis”, finaliza Lira Neto. 

Por Fernanda Matos – Conversa | Estratégias de Comunicação Integrada

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