Gravidez: saiba como otimizar a fertilidade

12 de setembro de 2018

A geração de um bebê nem sempre é resultado de relações sexuais. Ter um filho vai além dessa prática e, durante as tentativas, cerca de 15% dos casais descobrem que são inférteis.

De acordo com a médica creditada pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), Natalia Paes Barbosa, vários são os fatores que influenciam na capacidade de concepção. Apesar de ser possível reverter o quadro da infertilidade por meio das técnicas de reprodução assistida, a especialista listou alguns aspectos que interferem na fertilidade e podem  otimizar as chances de gravidez.

  • IDADE E FERTILIDADE
    A probabilidade de concepção diminui gradativamente com o passar dos anos em ambos os sexos. A idade materna parece ser o fator isolado mais importante quando se fala em taxa de gravidez. Para a mulher, a chance de conseguir uma gestação diminui consideravelmente após os 35 anos. Apesar de alterações no sêmen serem detectadas a partir dos 35 anos, os efeitos da idade na fertilidade masculina são mais evidentes após os 50 anos.
  • FREQUÊNCIA DE RELAÇÕES SEXUAIS
    Recomendações específicas de frequência de relações sexuais podem induzir o estresse desnecessário. Estudos demonstram que a chance de gestação é maior quando as relações sexuais ocorrem a cada 1 ou 2 dias. A abstinência sexual prolongada pode afetar negativamente as características do sêmen mas os dados não evidenciam comprometimento da integridade funcional ou a capacitação dos mesmos a ponto de impedir a concepção.
  • MOMENTO DA FERTILIDADE (“JANELA FÉRTIL”)
    A análise dos intervalos entre as menstruações é utilizada para estimar a janela fértil, que é definida como o intervalo de 6 dias que termina no dia da ovulação. Estudos sugerem que o momento da máxima fertilidade ocorre 1 a 2 dias antes do dia da ovulação. Em mulheres com ciclos regulares, a probabilidade de gestação pode ser otimizada com o aumento da frequência de relações sexuais após o término da menstruação até o dia da ovulação.
  • MONITORAMENTO DA OVULAÇÃO
    Mulheres que monitoram seu ciclo são capazes de prever o momento da ovulação. A probabilidade de concepção é maior quando o muco cervical aumenta em volume e tem característica elástica. Kits de detecção do hormônio luteinizante (LH) na urina e o aumento discreto da temperatura basal, que é o gráfico formado por medidas diárias da temperatura antes de sair da cama de manhã e que indica que ocorreu a ovulação quando existe a elevação de temperatura – também podem ajudar os casais a determinar o período da ovulação.
  • ROTINAS PÓS COITO
    Embora alguns casais pensem que o repouso da mulher por um período logo após o término da relação sexual impede o vazamento do sêmen e facilita o transporte do espermatozóide, não há evidência científica que comprove. Há relatos na literatura do encontro de espermatozóides nas trompas uterinas em menos de 2 minutos da deposição do sêmen no fundo vaginal. Também não há evidência de qualquer relação entre práticas coitais e sexo do bebê. O uso de lubrificantes vaginais pode diminuir a fertilidade devido aos seus efeitos negativos na sobrevivência e motilidade dos espermatozóides. Apesar de não existirem dados relevantes na literatura, pode ser  recomendado o uso de óleo mineral ou de canola quando necessário.
  • DIETA
    Considerando que um estilo de vida saudável pode melhorar a fertilidade, uma dieta rica em grãos integrais, ácidos graxos ômega-3, peixe, soja, frutas, verduras e azeite pode ser padrão  e um dos caminhos para melhorar a chance de gravidez. O consumo de açúcar, gorduras trans e carne vermelha podem influenciar negativamente a saúde em geral e devem ser evitados. Estudos recentes demonstraram que o consumo de cafeína foi associado ao aumento do risco de aborto e a recomendação atual é limitar a ingestão em até 200 mg por dia. Uma atenção especial deve ser dada à exposição a contaminantes ambientais nos alimentos decorrentes do processamento, preparação, embalagem e transporte. Alguns exemplos incluem mercúrio em peixes, resíduos de pesticidas em frutas e vegetais, resíduos de hormônios e antibióticos em carnes.
  • SUPLEMENTOS ALIMENTARES E ANTIOXIDANTES
    Há evidências limitadas quanto à possível associação entre vitamina D e a melhora da função reprodutiva. Além disso, um polivitamínico diário que contém ácido fólico antes e durante a gravidez pode melhorar a chance da concepção, além de prevenir defeitos congênitos.O estresse oxidativo pode estar envolvido nos casos de infertilidade. As causas mais comuns são poluição ambiental, tabagismo, álcool, má nutrição, obesidade, infecções e doenças crônicas e autoimunes. Vitamina C, vitamina E e coenzima Q10 podem ser benéficos, mas ainda há pouca evidência que suporte benefício ou dano do uso dos antioxidantes.
  • MEDICINA COMPLEMENTAR E ALTERNATIVA
    Variadas técnicas de medicina complementar e alternativa sugerem a melhora da fertilidade, como acupuntura, trabalho corporal, cura energética, medicamentos fitoterápicos e yoga, embora não existam estudos com alto nível de evidência publicados na literatura.

Para finalizar, a especialista Natália Paes Barbosa ressalta que os determinantes do momento ideal da gravidez são multifatoriais, mas a educação sobre os problemas da fertilidade (especialmente o declínio da fertilidade relativo à idade) e a possível influência de fatores ambientais são necessárias para ajudar na tomada de decisão reprodutiva baseada em informações precisas.

A Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida orienta aos pacientes que conversem sempre com seu médico pois ter um filho demanda planejamento, organização, cuidados pessoais e preventivos.

Veja mais em:

SAIBA COMO OS HÁBITOS DE VIDA INTERFEREM NO PROCESSO DE FERTILIDADE NATURAL

Por Deborah de Salles
Conversa Coletivo de Comunicação Criativa

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