“Foi desafiador para mim, mas a vontade de ser pai foi maior que tudo”, diz homem trans sobre reprodução assistida

12 de janeiro de 2022

Janeiro é o mês da Visibilidade Trans e a reprodução assistida também é um tema importante a ser abordado durante este período. O empresário Frederico Sotter conversou com a Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e contou a sua experiência na área como homem trans. De acordo com ele, a paternidade sempre foi uma vontade, mas foi um processo desafiador.

“Eu comecei minha transição com 16 anos, sem apoio da família. Eu só era respeitado na rua, pelos amigos e foi assim por muito tempo. Já com meus documentos retificados, com a mastectomia feita, eu senti necessidade de cuidar do meu espiritual, foi quando eu entrei para o terreiro de candomblé no qual eu e minha atual esposa fazemos parte. Foi lá que eu a conheci e então pouco depois a gente começou nosso romance”, relata.

Frederico também detalhou que a vontade de ter filhos partiu dele. Mas, que sua parceira nunca foi contra. “Nós nos casamos, lá mesmo no terreiro e então comecei a conversar com ela sobre filhos. Para ela, não era algo tão necessário quanto pra mim, mas ela não era contra, então começamos a procurar como seria”, comenta.

A princípio, o casal queria fazer uma inseminação artificial porque era mais simples e barata. “Fomos na clínica de reprodução assistida mais próxima da gente e lá acabamos descobrindo que o único meio possível para a gente seria a fertilização in vitro (FIV). Foi quando falei com o médico que eu era um homem trans e perguntei sobre a possibilidade de eu mesmo doar os óvulos para minha esposa ao invés de ficar esperando na fila”, disse Frederico.

De acordo com o empresário, a princípio foi preciso investigar os efeitos dos hormônios de transição no seu sistema reprodutor. Mas, após exames, constatou-se que seria possível fazer a doação. “Nós fizemos a FIV com 2 óvulos fecundados e apenas 1 vingou. Mas esse que vingou se dividiu e se transformou nas nossas gêmeas univitelinas que hoje têm 3 anos de idade”, comemora.

A vontade genuína de ser pai o ajudou a enfrentar os desafios que surgiram. “Ser pai sempre foi meu sonho e eu não me arrependo nenhum dia por tudo que eu pessoalmente passei. Não vou mentir que, pra mim, o processo todo de tratamento para poder doar meus óvulos foi extremamente doloroso. Não pela forma que fui tratado na clínica, a maneira como todos os profissionais reagiram foi maravilhosa. Porém, os homens trans já têm fama de fugir de ginecologistas e dos exames. Então, ter que fazer exames com frequência maior, ainda tem as injeções e a volta da menstruação. Isso tudo pode ser difícil para outras pessoas, porém penso ter sido mais difícil pra mim”, expõe.

Todavia, ele garante que se o desejo da pessoa for grande o bastante, vale a pena seguir em frente sem problemas. “É preciso ter muita vontade de ser pai e isso tem que estar muito bem definido em você. Eu acho muito importante deixar isso claro quando me perguntam se eu recomendaria para outros homens trans”, conclui Frederico.

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