Evolução da Reprodução Assistida no Brasil

7 de outubro de 2021

Hoje completa 37 anos da primeira bebê nascida por FIV no Brasil. Entenda algumas das evoluções e desafios da RA no país

A primeira bebê de proveta do Brasil e da América Latina completa hoje 37 anos. A paraense Anna Paula Caldeira nasceu em São José dos Pinhais, no ano de 1984, seis anos depois do primeiro bebê de proveta do mundo, a inglesa Louise Brown. O nascimento de Anna Paula foi um marco para a medicina.

A técnica utilizada pelos médicos da época após mais de 200 tentativas, teve o primeiro sucesso em 1978, a chamada fertilização in vitro (FIV). O óvulo da mulher é fecundado pelo espermatozoide do homem em laboratório. Depois, o embrião é implantado no útero.

Segundo explica a presidente da SBRA, Hitomi Nakagawa, desde o nascimento delas, as técnicas de reprodução assistida evoluíram em ritmo acelerado. “Hoje conseguimos gerar uma gravidez mesmo com a recuperação de apenas um espermatozoide, por exemplo, além de conseguir prever várias síndromes genéticas incapacitantes ou que causam mortes precoces antes de o embrião ser transferido ao útero da mulher”, ressalta.

 Evolução da Reprodução Assistida no Brasil 

Desde o primeiro nascimento de FIV no mundo estima-se que mais de 9 milhões de bebês nasceram graças à técnica. O que inicialmente estava indicado para infertilidade, hoje acolhe desde pessoas que desejam postergar o momento de serem pais até preservar a chance de ter filhos em momento oportuno. Essa foi uma das primeiras conquistas da Reprodução Assistida no Brasil: a desvinculação do conceito de infertilidade.

A Reprodução Assistida teve um desenvolvimento crescente na área da saúde, graças ao desenvolvimento tecnológico. “Novas tecnologias incorporadas aos tratamentos de reprodução medicamente assistida, quer no que tange a procedimentos médicos, laboratoriais ou relacionados a insumos e equipamentos propiciam uma segurança cada vez maior além de reduzir riscos”, explica a doutora Hitomi Nakagawa.

No Brasil, a qualidade dos serviços e assistência oferecidos na área, assim como os resultados se equiparam aos melhores centros do mundo.

As outras contribuições são demandadas por conta do surgimento de novos modelos familiares, como a família monoparental, constituída exclusivamente pela presença de apenas um dos genitores; a  família de pai com pai, de mãe com mãe; ou famílias que adiam a gestação por causa da carreira profissional ou outras razões.

Desafios 

Entretanto, o setor também enfrenta desafios. O Conselho Federal de Medicina (CFM) atualizou, no dia  15 de junho, as normas éticas que regulam a utilização das técnicas de Reprodução Assistida (RA) no Brasil. A Resolução nº 2.294/21 altera, por exemplo, a delimitação do número de embriões gerados em laboratório, o que pode se tornar um desafio para algumas pessoas conseguirem o tão desejado sucesso de bebê em casa. Por outro lado, a ampliação da faixa etária para a doação de óvulos e de embriões pode beneficiar mais pessoas que necessitam do procedimento.

Mudanças na criopreservação – Segundo o documento, o número total de embriões gerados em laboratório, agora, não poderá exceder oito. Aos pacientes, cabe decidir quantos embriões serão transferidos a fresco, sendo no máximo de dois embriões até os 37 anos e após essa idade, no máximo três – respeitada a nova regulamentação.

Outra alteração importante foi a determinação do número de embriões a serem transferidos no caso de avaliação genética do embrião. Na situação de recepção de óvulos, a idade da doadora deve ser considerada.

Segundo a presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), Dra. Hitomi Nakagawa, “a nova Resolução trouxe esclarecimentos sobre pontos questionados na versão anterior e trouxe avanços conforme exige a Tecnologia de Reprodução Assistida, que é dinâmica e encontra-se em constante evolução”. 

Porém, ainda conforme a doutora, o documento trouxe algumas preocupações em relação ao limite imposto para o número de embriões a serem gerados em laboratório, sem considerar as particularidades de cada mulher. “Nossa preocupação é que essa alteração possa reduzir as chances da mulher engravidar por ciclo de estimulação ovariana, além de onerar mais ainda os casais de forma física, emocional e financeiramente”, explica.

Por Luara Nunes, Conversa – Estratégias de Comunicação Integrada

 

Fale Conosco

Preencha seus dados




Secretaria Executiva | SBRA
SCES Trecho 3, Conjunto 6, Sala 209 | Associação Médica de Brasília | Asa Sul, Brasília-DF – CEP: 70200-003
Telefone: (61) 3225-0019
Celular: (61) 9.8419.0385
E-mail: presidenciasbra@gmail.com