É possível encomendar gêmeos na reprodução assistida?

2 de setembro de 2019

Muitas mulheres têm recorrido às técnicas de reprodução assistida como o congelamento de óvulos para adiar o sonho da maternidade. Para aumentar as chances de gravidez, mais de um embrião é usualmente transferido ao útero da mulher, o que pode acarretar uma gestação de gêmeos. Mas é possível encomendar ao médico a inserção de mais de um embrião com o objetivo de conseguir uma gravidez múltipla? 

A resposta é muito clara: não. De acordo com o médico creditado pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), Felipe Lazar Junior, não é possível nem garantir que a paciente ficará grávida após a realização do tratamento. “As variáveis que envolvem todo o processo são muito complexas e, apesar de todo o conhecimento que temos sobre o tratamento, o nosso desconhecimento é infinitamente maior”, diz. 

Segundo o especialista, a chance de ocorrer uma gestação de gêmeos é de 1% na população em idade reprodutiva. Por outro lado, sabe-se que os tratamentos de reprodução assistida oferecem maior probabilidade de gestação múltipla justamente pela quantidade de embriões que serão transferidos para o útero. “A probabilidade de o casal ter gêmeos aumenta dependendo do número de embriões transferidos durante o tratamento”, ressalta.

No entanto, o Conselho Federal de Medicina (CFM) recomenda a transferência de apenas dois embriões em mulheres com menos de 35 anos; entre 36 e 40, o máximo de 3 embriões. No caso de mulheres com mais de 40 anos, é possível transferir quatro dependendo da qualidade embrionária dos mesmos.

Para Lazar, apesar das recomendações do CFM relacionadas à faixa etária, hoje é prática habitual entre os especialistas a transferência de no máximo dois embriões em todas as pacientes. Na opinião do médico, “sem dúvida alguma o número de embriões transferidos é o fator único e exclusivo do aumento de múltiplos nas fertilizações in vitro”, afirma.  

Comportamento ético – Felipe Lazar também destaca que garantir gestação de gêmeos não é possível, e mesmo que fosse, não seria ético fazer às custas da transferência de 2 ou mais embriões, uma vez que aumentariam os riscos maternos e perinatais, especialmente com o incremento de gestações triplas ou de mais bebês.

Apesar dos riscos, estudos científicos ainda revelam que a maioria dos casais que procuram a reprodução assistida chegam aos consultórios com o desejo de ter vários filhos por meio de uma gestação múltipla. “Todos os profissionais deveriam dissuadir os pacientes desse desejo. A gravidez múltipla traz riscos para os recém-nascidos e para as gestantes”, adverte o especialista. Hipertensão e diabetes gestacional, descolamento da placenta, hemorragias, prematuridade, crescimento fetal restrito, complicações respiratórias e neurológicas para o bebê são fatores que precisam ser levados em consideração.

Mesmo transferindo um único embrião nos tratamentos de alta complexidade, a chance de gêmeos idênticos aumenta 3 vezes em relação à concepção de forma natural. “Enquanto na gravidez natural a incidência de gêmeos monozigóticos é de aproximadamente 0.40 a 0.45%, na reprodução assistida, por outro lado, o percentual pode chegar a 1.5%”, explica Lazar. “Por exemplo: em 2011, 36% dos gêmeos e 77% dos trigêmeos nascidos nos EUA foram provenientes de tratamentos de infertilidade.”

Sobre aspectos éticos, a presidente da SBRA, Hitomi Nakagawa, acrescenta que as resoluções do CFM sobre reprodução assistida buscam regular essa área de acordo com valores éticos. “Um dos princípios básicos da Resolução do CFM é facilitar o processo de procriação desde que não se incorra em risco grave de saúde para os envolvidos, ou seja, a mãe e descendente.”

Recomendações – Atenta a isso, baseada na literatura médica, a SBRA tem recomendado minimizar a possibilidade da gravidez gemelar após tratamentos para auxiliar casais que não conseguiram uma gestação natural. 

Segundo o médico, em países desenvolvidos, assim como nos melhores centros de reprodução assistida do Brasil, os serviços de FIV/ICSI têm utilizado novas ferramentas, a exemplo do diagnóstico genético pré-implantacional, que oferece condições para transferir apenas um embrião para o útero da mulher. “Nós esperamos que, em um futuro próximo, com a evolução das técnicas de reprodução assistida, não sejam mais necessárias as transferências de 2 ou mais embriões”, reforça o médico.

Por Fernanda Matos – Conversa – Estratégias de Comunicação Integrada.

 

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