Diagnóstico precoce de endometriose é fundamental para preservar a fertilidade das mulheres, diz especialista

9 de março de 2022

A endometriose é uma das doenças ginecológicas mais comuns entre as mulheres  e afeta de forma importante a fertilidade. De acordo com dados do Ministério da Saúde, a patologia atinge cerca de 8 milhões de brasileiras. Ela surge quando o tecido endometrial se implanta fora do útero, provocando reação inflamatória e dor, levando a uma formação de aderências pélvicas que  distorcem a anatomia local e acarretam na disfunção perineal, o que afeta a capacidade reprodutiva. 

Apesar de ser algo corriqueiro, em torno de 15% das mulheres com endometriose são assintomáticas. As demais sofrem com cólicas menstruais progressivas, conforme explica o  Dr. Edilberto de Araujo Filho, especialista em Reprodução Humana Assistida. “Elas vão piorando com o tempo. Depois as dores aparecem fora da menstruação, na relação sexual, ou quando a paciente menstrua e relata dor na direção do ânus”, explica.

Por outro lado, a endometriose afeta 10% das mulheres em idade reprodutiva e cerca de 30% a 50% delas apresentam infertilidade. O risco de a doença se agravar está em alguns hábitos, mas também é consequência das transformações ocorridas na sociedade. 

“Entre os fatores que influenciam, estão o estresse, a alimentação e a poluição, somados ao fato de que as mulheres estão protelando a maternidade por questões profissionais e econômicas, gestando menos, amamentando menos, mas menstruando bem mais do que há 20 ou 30 anos”, comenta o especialista. 

Mulheres que já engravidaram e amamentaram, contudo, têm bem menos risco de desenvolver a doença.

O assunto vem à tona por causa do “Março Amarelo”, voltado à conscientização sobre a endometriose em todo o mundo. Durante todo o mês, alerta-se para a realização dos exames preventivos. “Temos, nessa época, um momento importante de  alerta não só para as mulheres, que precisam estar atentas aos sintomas e devem procurar precocemente o seu ginecologista, mas também  para nós, médicos, no sentido de percebermos a necessidade de fazer esse diagnóstico”, acrescenta  o Dr. Edilberto.

Entre os métodos de diagnóstico mais comuns estão o exame de ultrassom pélvico transvaginal (com preparo intestinal realizado por profissionais treinados), a ressonância magnética pélvica e o exame ginecológico tradicional. “No entanto, a melhor maneira de identificar a endometriose ainda é a videolaparoscopia. No entanto, diante  dos recursos diagnósticos disponíveis hoje, sua indicação está restrita a situações especiais”, explica. 

REPRODUÇÃO ASSISTIDA

Nos casos em que a endometriose afeta a fertilidade, as técnicas de reprodução assistida podem ajudar. “A mulher jovem com diagnóstico de endometriose leve, com menos de 2 anos de infertilidade, espermograma do parceiro normal e trompas normais, pode se beneficiar de uma técnica de reprodução assistida de baixa complexidade, como a inseminação artificial ou intra uterina. No entanto, o acompanhamento e planejamento deve ser feito por um especialista, que saberá quando mudar de técnica”, garante o Dr. Edilberto.

Já para os graus mais avançados da doença, é recomendada a Fertilização In Vitro (FIV). “Os óvulos maduros são fertilizados com os espermatozoides do companheiro  formando embriões que são selecionados no laboratório e depois transferidos direto para dentro do útero por via vaginal, também guiado por ultrassom”, pontua.

Outra alternativa para os casos graves de endometriose em que a reserva ovariana ou a qualidade dos óvulos podem ser comprometidas, é indicado o congelamento de óvulos.

A prevenção, portanto, é fundamental para evitar a doença. É imprescindível fazer o diagnóstico precoce, assim como o tratamento. “Para isso temos que ter em mente os sinais e sintomas da doença e, para diagnosticar os casos assintomáticos, fazer pelo menos um ultrassom transvaginal de rotina anual”, assegura o Dr. Edilberto.

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