Diagnóstico genético de embriões evita doenças, síndromes e até óbito

16 de fevereiro de 2018

A genética está ganhando cada vez mais espaço em diferentes áreas da medicina. A especialidade, que antes era mais voltada ao atendimento clínico a indivíduos com problemas já presentes, ou orientação pré-concepcional na presença de doenças de transmissão familiar conhecida, segue avançando para detectar precocemente possíveis riscos. Esse é o caso na medicina de reprodução assistida que se associa aos geneticistas para o aconselhamento pré-concepcional em indivíduos portadores de deficiências de possível transmissão e no acompanhamento do desenvolvimento dos embriões, antes de sua introdução no útero. A área segue avançando, trazendo soluções e novos desafios.

De acordo com Maria do Carmo Borges, ginecologista acreditada pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), o diagnóstico genético de um embrião pré-implantação, ou seja, antes da transferência para o útero, ocorre quando o feto tem entre cinco ou seis dias de evolução. “Fazemos uma avaliação por meio da coleta de quatro a oito células do total de aproximadamente 200 a 300, que o embrião tem neste momento. As células obtidas nesse período são a porta de entrada para as informações genéticas deste embrião”.

A especialista informa que o mito de que a genética pré-concepcional é utilizada para a criação de um “bebê perfeito” é falso. “O teste genético não tem a capacidade de modificar um embrião ou torná-lo melhor. Na verdade, ele nos permite dois tipos de diagnósticos, a partir de biopsias. O exame PGT-A (Teste Genético Pré-implantacional – Aneuploidias) detecta possíveis alterações no número ou forma de cromossomos e o PGD (Diagnóstico Genético Pré-implantacional) serve para casos muito específicos em pessoas que tenham histórico familiar de doença genética”, lista.

Regras claras

Para a médica, a importância destes exames está relacionada à idade da mulher e do homem, e às histórias familiares, pois as chances destas alterações ocorrerem nos embriões vai aumentando com o tempo ou com a frequência na família. “Estamos falando de minimizar riscos, de buscar qualidade de vida ou vida com qualidade. Mas, se estamos falando de vida, também são necessários limites”, cita.

No Brasil o Conselho Federal de Medicina vem tratando destas questões e na última Resolução, de número 2168/2017 atualizou as questões ligadas ao Diagnóstico Genético Pré-Implantacional de Embriões. “Trabalhamos com o limite de que não se trata de um tratamento em busca do bebê perfeito, mas sim em busca de um trabalho seguro, com constantes melhorias, procurando maior qualidade de vida e sobrevida das mães e dos bebês”, conclui a médica.

 

Por Júlia Carneiro
Conversa Coletivo de Comunicação Criativa

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