Dia dos pais: Homens inférteis também podem ter filhos; saiba como

9 de agosto de 2019

Com a proximidade do Dia dos Pais, que este ano será comemorado no dia 11 de agosto, o urologista e especialista em reprodução humana creditado pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), Eduardo Pimentel, esclarece as principais causas da infertilidade masculina e orienta sobre os principais tratamentos indicados para cada caso. Assim como as mulheres, que vão se tornando menos férteis com o avançar da idade, os homens também apresentam redução da capacidade reprodutiva com a idade, só que de modo muito mais lento.

Segundo Pimentel, a produção de espermatozoides é ininterrupta ao longo da vida dos homens e o processo persiste mesmo em idades avançadas. “Atualmente, sabe-se que os espermatozoides de um homem idoso são células mais frágeis do que as de um mais jovem; e com menor capacidade reprodutiva. Entretanto, essa diferença não significa um impacto tão grande na fertilidade como o observado com o avanço da idade das mulheres”, avalia.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), fatores masculinos representam 30 a 40% dos casos de infertilidade. Mas, conforme explica o especialista da SBRA, a boa notícia é que para cada diagnóstico existe um tratamento médico adequado. Entre as principais causas que levam à infertilidade nos homens estão a varicocele e as infecções. Outras causas menos frequentes de produção inadequada de espermatozoides são problemas hormonais, alterações genéticas e sequelas de outros tratamentos. Pimentel adverte que um diagnóstico bem feito é primordial para a identificação do método mais indicado para superar essa dificuldade.

Dessa forma, de acordo com Pimentel, em muitos casos a infertilidade masculina pode ser revertida dando ao homem a esperança de ter filhos. Ele pontua ainda alguns perfis de homens inférteis e os tratamentos disponíveis para cada caso. São eles:

  • HOMEM DIAGNOSTICADO COM CÂNCER (próstata, testículo ou perda progressiva do funcionamento dos testículos, chamadas de atrofias testiculares) – As cirurgias para remoção de tumores podem provocar lesões no aparelho reprodutor masculino e as sessões de radioterapia e quimioterapia podem comprometer a produção de espermatozoides. 

O que fazer? Nesses casos, o mais indicado é o congelamento de espermatozoide antes de se iniciar o tratamento oncológico. A coleta do sêmen é feita por ejaculação. Após concentração dos de melhor qualidade, o material é congelado à temperatura de –196° C e permanece devidamente identificado com os dados do seu portador genético. Os espermatozoides acondicionados em paillettes no nitrogênio líquido podem permanecer pelo tempo que for necessário até sua utilização. Nesta mesma linha, a criopreservação estaria indicada antes de certos tratamentos medicamentosos tóxicos aos testículos.

  • HOMENS COM VARICOCELE (varizes na bolsa testicular) – É a causa mais comum de infertilidade nos homens, pois associa-se a alterações na produção e qualidade dos espermatozoides. O diagnóstico é dado principalmente pelo exame clínico, realizado preferencialmente por um urologista.

Como tratar? O tratamento é cirúrgico e é realizado na região da virilha. Dura aproximadamente 45 minutos em cada lado. Os resultados podem ser melhores quando a técnica de microcirurgia é realizada.

  • HOMENS VASECTOMIZADOS – Na prática, o profissional realiza a re-conexão dos tubos (canais deferentes) que transportam os espermatozoides da região testicular até as vesículas seminais e próstata para que saiam no ejaculado. Quanto maior o tempo de vasectomia, maior a dificuldade de revertê-la com sucesso. É um fator a ser levado em consideração no prognóstico, mas a boa condição ginecológica da parceira também é fundamental para o alcançar o objetivo reprodutivo.  

Segundo o especialista da SBRA, nos casos em que tratamentos cirúrgicos ou medicamentosos não são aplicáveis para tratar a fertilidade e tentar a concepção natural, a alternativa é recorrer às Terapias de Reprodução Assistida. Intervenções urológicas de suporte como punção de epidídimo (PESA) ou extrações cirúrgicas de espermatozoides (TESE ou Micro-TESE) podem ser necessários quando a coleta por ejaculação não for possível.

Prevenção – A Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) aconselha aos homens que mantenham bons hábitos de vida e realizem exames médicos de rotina, para preservar a fertilidade. Para avaliar uma possível infertilidade o primeiro exame a ser realizado é o espermograma, que fornece informações importantes como: a quantidade e a qualidade dos espermatozoides, indícios de infecção e outras anormalidades do sêmen. Em caso de ausência ou não produção de espermatozoides, pode-se recorrer ao banco de sêmen.

Por Fernanda Matos – Coletivo Conversa de Comunicação Criativa

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