Conheça cinco hábitos na pandemia que prejudicam a fertilidade masculina

10 de setembro de 2020

Urologista creditado pela SBRA reforça prejuízos de hábitos adquiridos ou intensificados durante período de isolamento e pede atenção para os riscos relacionados à saúde reprodutiva

O isolamento social requerido pela pandemia do novo coronavírus trouxe hábitos perigosos que, além de prejudiciais à saúde em geral, podem impactar na fertilidade masculina e produzir reflexos negativos para quem deseja ter um filho no futuro. De acordo com o urologista creditado pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), Fábio Firmbach Pasqualotto, sedentarismo, obesidade, estresse, alcoolismo e descuido com os exames de rotina são fatores de risco para a fertilidade masculina que devem ser evitados ou controlados.

Uma recente pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), constatou que os brasileiros têm cuidado menos da saúde durante o período de isolamento. Ansiedade, depressão, sedentarismo e alto consumo de álcool e tabaco estão entre os principais impactos causados pela pandemia. 

Segundo Pasqualotto, para garantir que a saúde reprodutiva esteja em dia após a pandemia, é preciso evitar excessos, manter hábitos saudáveis e estar sempre em dia com os exames de rotina. Veja abaixo cinco atitudes cotidianas adquiridas, modificadas ou negligenciadas durante a pandemia que podem prejudicar a qualidade dos espermatozoides e comprometer a fertilidade masculina. 

SITUAÇÕES DE ESTRESSE – O estresse é um fator social muito importante e que, inclusive durante o tratamento de fertilização in vitro (FIV), precisa ser controlado para não interferir negativamente no tratamento. Segundo o médico, ele está relacionado com piora da qualidade do ejaculado. 

Além disso, o estresse pode afetar a produção de testosterona e repercutir negativamente na de espermatozoides, além de poder piorar a libido. A diminuição da libido, além de reduzir a frequência de relação sexual, pode afetar o volume do ejaculado e a taxa de gravidez.

FALTA DE ATIVIDADE FÍSICA – A falta de atividade física irá diminuir a produção de testosterona de maneira semelhante ao estresse. Não podemos esquecer que o espermatozoide é uma célula que precisa de oxigênio. O exercício físico em doses moderadas aumenta a oxigenação tecidual, levando à melhora na qualidade dos espermatozoides.

EXCESSO DE BEBIDA ALCOÓLICA – Dados da pesquisa da Fiocruz revelaram o aumento do uso contínuo de álcool por pessoas em isolamento ou quarentena. A maior alta no consumo no Brasil foi vista, de acordo com o estudo, entre homens (18,4%) e entre pessoas com idade entre 30 e 39 anos. 

Apesar de ser assunto controverso na literatura médica, sabe-se que o consumo regular de álcool pode afetar a qualidade dos espermatozoides e diminuir a quantidade e motilidade dos gametas masculinos, reduzindo as chances de gravidez espontânea. 

Além disso, convém ressaltar que o álcool em excesso é prejudicial à saúde, podendo causar diminuição da ereção e, se for ingerido de forma crônica, provocar alterações hormonais por problemas hepáticos. Por outro lado, estudos mostram que, em pequenas doses, ele pode ter efeito benéfico por desinibição e melhora da ereção em algumas pessoas.

ALIMENTAÇÃO DESEQUILIBRADA E EXCESSO DE PESO – A alimentação desregrada e o consequente sobrepeso podem causar um impacto negativo no potencial reprodutivo masculino.

Os resultados de vários estudos apontam que o excesso de peso pode interferir na produção hormonal pela transformação de testosterona em estradiol na gordura periférica, prejudicar a produção de espermatozoides (quantidade, mobilidade e qualidade), além de provocar a diminuição da qualidade do esperma, levando à infertilidade. Como consequência disso, observa-se um importante impacto na libido e na qualidade de vida de indivíduos obesos. 

Nesse sentido, o ideal é sempre manter uma alimentação equilibrada associada à prática de exercícios físicos regulares para manter o peso e ter maiores chances de alcançar a tão sonhada paternidade.

FALTA DE CHECK-UP – A realização de exames de rotina pode prevenir doenças e diagnosticar distúrbios que interferem na fertilidade, a exemplo da varicocele. Segundo o médico, a doença, que afeta o número e a qualidade dos espermatozoides, está presente em até 20% da população masculina, mas até 40% dos casos de infertilidade masculina podem estar relacionadas a ela.

A origem do problema  diz respeito mais provavelmente a um aumento na temperatura dos testículos ou alterações nos espermatozoides devido ao estresse oxidativo. Além disso, o incremento no nível das espécies reativas de oxigênio no sêmen, pode levar a alterações na fragmentação do DNA, diminuindo a chance de engravidar ou aumentando as possibilidades de aborto. Vale ressaltar que, além da varicocele, vários fatores podem comprometer a fertilidade masculina, dentre eles causas hormonais, genéticas e ambientais.

Covid-19 – Fábio Pasqualotto também alerta os homens sobre os possíveis impactos do novo coronavírus no sistema reprodutivo masculino que podem prejudicar a fertilidade. Segundo ele, alguns estudos demonstram que a Covid-19 pode levar a um processo inflamatório do testículo e provocar orquite em até 20% dos homens contaminados. No entanto, o médico ressalta que novos estudos ainda são necessários para a sustentação dos resultados, uma vez que a doença não foi encontrada em uma boa parcela de pacientes. 

Ele também esclarece que, como a doença pode levar à inflamação dos testículos, ela deve afetar a produção de testosterona que, por sua vez, além de aumentar a chance de infertilidade, pode levar à disfunção erétil dos pacientes. 

Por fim, o urologista deixa uma mensagem aos homens em relação aos cuidados com a saúde reprodutiva neste momento de pandemia. “Todos devem ficar atentos à adoção de hábitos saudáveis que melhorem a qualidade de vida, como aumentar a prática de exercícios físicos; adotar uma alimentação saudável; tomar sol, para ajudar a aumentar os níveis de vitamina D no organismo; controlar o peso, porque a obesidade pode levar à diminuição da testosterona do homem; além de visitar periodicamente o urologista e o cardiologista para fazer exames urológicos e cardiológicos periódicos”, finaliza Pasqualotto.

Por Fernanda Matos – Conversa | Estratégias de Comunicação Integrada.

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