Congelamento de óvulos foi uma das últimas fronteiras ultrapassadas pela RA, afirma especialista

16 de março de 2022

O congelamento de óvulos transformou não só o panorama da Reprodução Humana, mas também o comportamento das pessoas. A técnica consiste em realizar o contato direto do óvulo com um fluido chamado de crioprotetor que, ao submergir à temperatura negativa de 196 °C, consegue manter o metabolismo estacionado sem prejuízo ao ser descongelado ao estado inicial.

O Dr. Raul Eid Nakano, especialista em Reprodução Humana, explica  que historicamente o congelamento de óvulos foi uma das últimas fronteiras que a Reprodução Humana Assistida vinha tentando transpor por causa dos avanços tecnológicos. “O sêmen congelado e descongelado foi utilizado clinicamente há aproximadamente 60 anos. O embrião, há mais ou menos 30 anos; os óvulos, há quase 30 anos. Porém, só há mais ou menos 15 anos a técnica ganhou eficiência”, frisa. 

Uma das vantagens da técnica, segundo ele, é evitar o desperdício de óvulos excedentes em um programa de fertilização assistida. Isso permite a criação de um banco de óvulos nos moldes do banco de sêmen. “A mulher na menopausa pode utilizar óvulos congelados de um banco. Mulheres que tiveram câncer podem pensar em engravidar após a cura. É possível, até mesmo, congelar óvulos por motivos religiosos”, completa.

Nakano também explica que essa técnica pode ser realizada manualmente, sob a visão direta, por meio de um microscópio, o que consiste numa verdadeira micromanipulação assistida. É possível, ainda, fazer os mesmos passos técnicos com um aparelho automático que simula o procedimento manual, com resultados semelhantes. 

INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES

Por se tratar de uma técnica com bastante eficiência e segurança, o congelamento de óvulos é indicado para a maioria das mulheres – ampliando o leque de possibilidades para quem deseja se submeter ao tratamento de fertilidade ou, principalmente, quem deseja adiar uma gestação, mas quer assegurar que ela ocorra futuramente com menos riscos. 

“Se a mulher tiver mais de 35 anos e não vislumbra a possibilidade de engravidar, seria pertinente congelar seus óvulos. Para induzir, produzir, coletar e processá-los, os riscos são raros – praticamente os mesmos de uma paciente que se submete a um procedimento de Fertilização In Vitro (FIV)”, garante o especialista.

Atualmente, contudo, a principal contraindicação para o congelamento é a contaminação por COVID-19. “Casos de infecção ativa são motivo de avaliação e provavelmente de suspensão do processo de congelamento de óvulos”, alerta Nakano.

Na visão do especialista em Reprodução Humana, o congelamento de óvulos ainda está distante de parte da população, seja pela falta de informação ou pelo custo que a técnica envolve. “Poucos serviços públicos oferecem este tipo de assistência, o que dificulta muito para aquelas pessoas que sabem do processo mas não conseguem utilizá-lo. Em alguns países do primeiro mundo, por exemplo, os ginecologistas são orientados a alertar as pacientes que vão fazer exames preventivos de câncer ginecológico sobre possibilidade de preservação de óvulos”, destaca.

O cenário tende a mudar, segundo o médico, porque tanto os profissionais de saúde quanto os meios de comunicação têm abordado o assunto de maneira mais frequente. Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido para que o congelamento de óvulos se popularize. “Há a necessidade de uma atuação junto com os ginecologistas, oncologistas e médicos de família para alertarem  suas pacientes, como parte de uma consulta sobre planejamento familiar, ou até mesmo à  população em geral, sobre esta questão”, pontua.

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