Como manter o equilíbrio emocional após a suspensão de tratamentos de reprodução assistida

24 de abril de 2020

Procedimentos foram adiados após recomendação da SBRA; confira dicas para preservar a saúde mental durante a pandemia 

A pandemia do coronavírus (Covid-19) interferiu diretamente no planejamento dos casais que buscavam apoio para engravidar. Com base no posicionamento da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou no mês de março a suspensão da maioria dos procedimentos de reprodução assistida durante a pandemia. A medida mexeu com as emoções de casais que já estavam em tratamento e também daqueles que ainda iam iniciá-lo. 

Recentemente, as entidades divulgaram nota complementar sobre o assunto, onde reafirmaram as orientações emitidas em 21 de março e trouxeram novas recomendações que devem ser observadas nos casos susceptíveis de individualização. Além das orientações emitidas na nota anterior, que já colocava os pacientes oncológicos como exceção, posto que são casos que necessitam com urgência da preservação de seus gametas previamente a procedimentos cirúrgicos ou eventual quimioterapia, a nota complementar mantém a orientação nos casos em que o adiamento dos tratamentos de reprodução assistida possam causar maior dano ao paciente ou até infertilidade irreversível (esterilidade), seja por idade ou comprometimento da reserva ovariana, por exemplo.

De acordo com a psicóloga clínica, da saúde e hospitalar creditada pela SBRA, Rose Marie Massaro Melamed, a ansiedade, a depressão e o estresse são sentimentos que normalmente acompanham o paciente de reprodução assistida e podem ser desencadeados, sobretudo, quando há muita pressão, cobrança e baixa tolerância à frustração. Para ela, as incertezas desse momento tendem a intensificar ainda mais as reações ao estresse e ao confinamento, podendo produzir maiores respostas fisiológicas e emocionais com repercussão no sistema imunológico. 

Uma pesquisa realizada pela ONG Americana Kaiser Family Foundation mostrou vários impactos potenciais do coronavírus na vida das pessoas e um dos pontos abordados pelos entrevistados foi o aspecto psicológico. O trabalho revelou que as pessoas estão relatando, cada vez mais, que o momento atual está afetando negativamente a sua saúde mental. Os dados indicam que mais de quatro em cada dez adultos (45%) consideram que a preocupação e o estresse relacionados ao coronavírus tiveram um impacto negativo em sua saúde psicológica. 

Segundo a psicóloga da SBRA, o isolamento e as incertezas desse momento impactam diretamente nas emoções das pessoas e isso deve contribuir para o aumento do número daquelas que irão desenvolver questões psiquiátricas. “Infelizmente, isso também tende a ocorrer com os pacientes de reprodução assistida, onde a realidade é similar”, acredita.

Há várias abordagens de psicoterapia indicadas para os casais que buscam as técnicas de reprodução assistida, como a terapia cognitivo-comportamental, a psicanálise, a psicoterapia-psicodinâmica e a psicoeducação, além das complementares, que ajudam a reduzir os níveis de estresse e ansiedade, dentre elas ioga, meditação e acupuntura.

“Em momentos difíceis, em que a solução está fora do nosso controle, é normal que o medo tome conta dos nossos pensamentos. Em qualquer situação, a orientação é para que as pessoas encarem a realidade, sempre tentando desfocar da questão da pandemia, e parem de se vitimizar achando que está acontecendo apenas com elas, pois sabemos que é uma crise mundial”, afirma.

Rose Marie observa que pacientes com mais de 35 anos tendem a estar em um estado de maior apreensão por conta do adiamento do tratamento, o que poderá gerar maiores dificuldades para um resultado positivo. Esse é um dos motivos para que o apoio profissional continue, mesmo que de maneira remota. “A pandemia já provoca angústia nas pessoas e, em casais com o diagnóstico de infertilidade, essa situação pode ser ainda mais frustrante. Então, é importante que toda a equipe esteja à disposição para acolher os pacientes nas suas necessidades para que eles encontrem um espaço de interlocução e de troca neste momento de isolamento”, avalia.

Segundo ela, a suspensão dos tratamentos também impactou nos sentimentos de pacientes que finalizaram o tratamento no início da pandemia e receberam resultado positivo de gravidez. Ainda que até o momento não existam evidências de efeitos negativos do vírus na gravidez, especialmente naquelas em estágio inicial, é normal que as gestantes ou os casais fiquem preocupados.

“Muitas mulheres começam a se questionar se seria o momento ideal para estarem gestantes e costumam sentir emoções ambíguas: de felicidade por terem conseguido engravidar e de medo por temerem complicações futuras. Para elas, através da psicoeducação, costumo reforçar que não existe comprovação de contaminação vertical”, diz.

Outro aspecto a considerar é que as repercussões psicológicas e psiquiátricas e as emoções envolvidas, como medo e raiva, também devem sofrer alteração. “Esses sentimentos aumentam os níveis de ansiedade e estresse em indivíduos saudáveis e intensifica os sintomas das pessoas com problemas psiquiátricos pré-existentes”, diz.

A seguir, a psicóloga enumera algumas dicas adicionais para ajudar a manter o equilíbrio emocional em qualquer cenário adverso. 

  1. Evite falar sobre assuntos que provocam angústia;
  2. Busque alguma atividade que traga prazer, mesmo que realizada no espaço de isolamento. Isso vai ajudá-lo a se distrair;
  3. Leia livros e procure acolhimento pessoal em suas relações familiares;
  4. Utilize a tecnologia a seu favor para se manter conectado com a vida e com pessoas que mais estima, usando os meios de comunicação eletrônicos a seu favor;
  5. Não hesite em procurar atendimento profissional se sentir necessidade.
  6. Busque apoio espiritual. “A fé pode servir como um alívio, uma busca de amparo diante do desespero. Pode dar às pessoas uma sensação de segurança, proteção e de não estarem sozinhas”.

Por Fernanda Matos – Conversa Coletivo de Comunicação Criativa

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