Clínicas de reprodução assistida devem redobrar protocolos de segurança para retomada dos tratamentos

24 de junho de 2020

Diretrizes recomendadas pela SBRA e outras entidades visam proteger os pacientes e toda a equipe que trabalha nos centros de reprodução humana

Clínicas de reprodução assistida sempre seguiram rígidos protocolos de biossegurança. Com a pandemia da Covid-19, os estabelecimentos precisaram adotar novos processos para oferecer ainda mais proteção para os pacientes e toda a equipe de profissionais. Por orientação da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida – SBRA e da presidente da Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA, profissionais de reprodução assistida suspenderam novos procedimentos durante esse período de pandemia. As exceções foram para os casos oncológicos e outros em que o adiamento do tratamento pudesse causar maior dano ao paciente ou até infertilidade irreversível, seja por idade ou comprometimento da reserva ovariana.

De acordo com o ginecologista e ex-presidente da SBRA Selmo Geber, devido às características do SARS-CoV-2, algumas medidas de contingência para combater a infecção precisaram ser adotadas em clínicas e locais de atendimento para proteger os pacientes e toda a equipe que trabalha nos estabelecimentos. 

Com a retomada gradual das atividades em locais onde houver flexibilização do isolamento social, outras medidas devem ser observadas pelas clínicas de reprodução assistida para reforçar os protocolos de biossegurança em relação ao atendimento das pacientes e a realização dos procedimentos clínicos e administrativos pela equipe interna. Segundo Geber, os protocolos são importantes e devem ser priorizados pelas clínicas nas áreas externas comuns e internas com vistas a impedir a transmissão do vírus durante o atendimento ou tratamento de pacientes, especialmente os casos considerados urgentes e inadiáveis. 

Para orientar as clínicas de reprodução assistida, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou nota técnica com diretrizes e orientações necessárias para o momento de retomada das atividades. Segundo a nota, esse retorno deve ser programado, gradual e realizado de forma cautelosa, dando prioridade a pacientes com reserva ovariana reduzida ou idade materna avançada, e o Banco de Células e Tecidos Germinativos (BCTG) deve estabelecer protocolos específicos. 

De acordo com a presidente da SBRA, Hitomi Nakagawa, a Sociedade recomenda que as tentantes mantenham contato com os seus médicos para que os casos possam ser avaliados de forma personalizada e os inadiáveis tenham a devida abordagem. “A contextualização da oferta dos serviços de reprodução assistida deve obedecer às diretrizes governamentais locais para que não haja interferência na assistência à saúde da comunidade, nem riscos maiores à segurança das pessoas envolvidas. Todas as clínicas tem se solidarizado com o momento delicado e a pressão psicológica a que os nossos assistidos estão sendo submetidos”, informa. 

Agendamento das consultas – Em relação ao agendamento das consultas, a orientação é para que os casos prioritários e urgentes sejam os primeiros no retorno dos atendimentos, para evitar aglomerações e não tumultuar as recepções das clínicas. Vale ressaltar que a orientação é para oferecer a adoção da telemedicina nos casos possíveis; espaçamento dos horários; respeito aos horários programados – pacientes e médicos –; limitar acompanhante nos casos de consultas presenciais; envio prévio de exames, para diminuir o tempo de consulta no retorno; e, na hora do agendamento, é recomendável fazer uma triagem rápida do estado de saúde da paciente. 

Conforme reforça Geber, logo após a autorização do Conselho Federal de Medicina (CFM), os profissionais adotaram a telemedicina para seguir com os atendimentos dos casos possíveis por chamadas telefônicas e de vídeo. “O principal benefício foi permitir que as pacientes pudessem ser atendidas respeitando o isolamento, isto é, sem sair de casa. Vale ressaltar que essa forma de atendimento não apresenta nenhum prejuízo e tem se mostrado eficiente”, ressalta Geber.

Na preparação dos ambientes – As clínicas devem observar alguns pontos nesta fase de preparação, a exemplo do abastecimento adequado do almoxarifado em relação ao acondicionamento de produtos de limpeza, desinfecção e EPIs e da limpeza e desinfecção de ambientes e equipamentos. Também é indicado que evitem objetos de uso comum (como telefones, revistas, jornais), façam a demarcação de pisos e cadeiras para evitar aglomeração, disponibilizem logo na entrada da clínica opções para higienização das mãos e estabeleçam um cronograma de limpeza bem definido nos setores.

Na recepção das pacientes – Os ambientes das clínicas também precisam de cuidados especiais. Eles devem disponibilizar orientações diversas sobre os procedimentos de biossegurança adotados pelo estabelecimento, sempre ressaltando a necessidade do uso de máscaras, limpeza dos pés, respeito ao distanciamento e circulação de pessoas, higiene das mãos, etiqueta social em caso de tosse ou espirro, uso de lenço descartável, evitar tocar a face e a manutenção das janelas abertas, priorizando a ventilação natural.

Além das clínicas, os pacientes precisam estar atentos e adotar alguns cuidados extras para evitar a contaminação e transmissão do vírus. Devem usar máscaras, respeitar os horários marcados para que não haja aglomeração e responder aos questionários de forma correta. “Também devem evitar ir para as consultas com acompanhantes, exceto nos casos sensíveis, em que sugerimos que venham com uma pessoa apenas, mas não totalmente desacompanhadas, exatamente para minimizar os impactos emocionais”, recomenda o médico da SBRA.

Como a Covid-19 se propaga via gotículas respiratórias, novas medidas de prevenção e controle de contágio devem igualmente ser incluídas pelos médicos nos centros cirúrgicos, como o uso de EPIs adequados para o contato com secreções e sangue. Deve-se usar touca, máscara, óculos ou face shield, capote impermeável, luvas e sapatos fechados. “Outra orientação é para que, ao final do procedimento, os equipamentos sejam retirados de forma adequada, evitando-se contaminação. Também é importante evitar o trânsito entre os diferentes setores com EPIs”, completa. 

Por fim, o médico reforça que esse momento é de prudência e de atenção para todos os profissionais e deixa uma mensagem para tranquilizar as pacientes que precisam realizar algum procedimento na área de reprodução assistida. “Para as que tiveram seus ciclos adiados, minha mensagem é de esperança, porque isso vai passar e não irá comprometer o resultado do tratamento”, diz.

Confira mais recomendações no Manual de Biossegurança produzido pela Associação Brasileira de Embriologistas em Medicina Reprodutiva (PRONÚCLEO). Clique aqui e acesse o material, que contou com a colaboração da presidente da SBRA. 

Por Fernanda Matos, Conversa | Estratégias de Comunicação Integrada

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