Acompanhamento psicológico auxilia pacientes que pretendem ter um bebê com suporte das técnicas de reprodução assistida

5 de fevereiro de 2018

Independente da forma como é composta cada família, é preciso considerar vários aspectos na hora de tomar a decisão de ampliá-la, especialmente quando é necessário utilizar-se das técnicas da reprodução assistida. É comum, ao pensar em ter filhos, ter que se preocupar com aspectos financeiros e outros de ordem mais prática, mas as questões emocionais são tão ou mais importantes nesse momento e demandam atenção especial.

De acordo com a psicóloga Helena Bonesi, creditada pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), nos casos de infertilidade ou dificuldade de gravidez após o período de um ano de tentativas sem êxito, o acompanhamento psicológico faz a diferença. “No primeiro momento, com um diagnóstico da infertilidade, as emoções são diversas e diferentes para cada pessoa, porém nos homens, pode ocorrer o sentimento de culpa ou de impotência, como se a capacidade reprodutiva estivesse atrelada à virilidade ou masculinidade. A mulher geralmente apresenta sentimentos de menos valia, de ser “menos mulher’”, detalha a especialista.

Ao tomar a decisão de se submeter a uma técnica de reprodução assistida é importante manter o apoio psicológico para trabalhar as expectativas e as chances de êxito e fracassos do tratamento. “Por um lado, a reprodução assistida surge como uma esperança e é comum que, inicialmente, as pessoas apresentem alta expectativa com relação aos resultados. Por outro, existe o medo de não conseguir, mesmo por meio das tecnologias reprodutivas, o tão desejado filho, de não transmitir a hereditariedade e o “nome” para frente. A partir daí, surgem vários questionamentos com relação a um futuro incerto e inseguranças com a falta de controle da situação”, explica Helena Bonesi.

Trabalhando as expectativas

A psicoterapia pode ajudar os pacientes a criarem estratégias mais eficazes e positivas de enfrentamento de possíveis complicações do tratamento, além de ampliar as possibilidades e outras perspectivas da vida. “Com o desdobramento do tratamento, quando há a necessidade de novas tentativas, o fardo pode ficar mais pesado e os sentimentos negativos se acentuarem. Sem o apoio necessário a esperança e resiliência diminuem. Com isso, as pessoas envolvidas podem apresentar altos níveis de estresse, ansiedade e sofrimento psíquico podendo afetar outras áreas da vida, como a social e laboral”, alerta a psicóloga.

Por isso, a especialista indica que o diálogo a respeito do desejo de um dia ter filhos deve ocorrer desde antes mesmo dessa tomada de decisão. “A psicoterapia pode auxiliar no planejamento para que pacientes decidam, de forma consciente e organizada, pela ampliação familiar, seja ela tomada de forma individual ou entre o casal. É claro que não se pode controlar tudo, e isso também deve ser levado em conta para que seja possível enfrentar as situações inesperadas de forma mais positiva e construtiva para cada um”, conclui.

Por Júlia Carneiro
Conversa Coletivo de Comunicação Criativa

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