Vitamina D pode mesmo influenciar na fertilidade?

28 de janeiro de 2020

Verão é época de descansar e, quem sabe, aproveitar para visitar a praia, ativar bastante vitamina D e renovar o bronzeado. Embora esteja associada mais à saúde óssea, existem estudos mostrando que essa vitamina possa cumprir importante papel na saúde reprodutiva e, para quem deseja ter filhos, toda ajuda é bem-vinda.

Para o organismo humano, a vitamina D tem seu papel reconhecido na regulação do metabolismo ósseo e no equilíbrio dos íons cálcio e fósforo. Entretanto, de acordo com o ginecologista Bruno Ramalho, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), outros efeitos metabólicos da vitamina D ainda precisam ser melhor investigados para apresentarem evidências mais conclusivas, como é o caso da sua influência na fertilidade.

“Pode ser que, futuramente, tenhamos evidências científicas fortes que norteiem seu uso no diagnóstico e no tratamento de doenças como, por exemplo, endometriose, síndrome dos ovários policísticos e infertilidade”, afirma.

A observação do médico também foi destacada em dois estudos chineses publicados em 2019, que constataram que não existe interferência da vitamina D sobre os diversos resultados da fertilização in vitro avaliados: desenvolvimento embrionário, implantação, gravidez clínica, aborto espontâneo e taxas de nascidos vivos. Um deles concluiu que, dentre mulheres chinesas, o nível de vitamina D não foi associado a mais gravidez ou maior taxa de nascidos vivos após a realização do procedimento. O outro  acompanhou e observou os níveis de vitamina D em casais que estavam passando por tratamentos de fertilização in vitro convencional e ICSI entre março de 2016 e março de 2017, incluindo 1.883 mulheres e 1.720 homens. A conclusão foi de que, tanto em homens quanto em mulheres, os níveis de vitamina D não foram associados ao desenvolvimento embrionário nos seis primeiros dias nem a resultados clínicos.

Já a metanálise de 11 estudos publicada em 2018 na revista Human Reproduction concluiu pelo benefício da suplementação da vitamina D em mulheres submetidas à fertilização in vitro, “mas a análise dos dados é passível de críticas e parece que, se há benefício de fato, ele é pouco expressivo no que diz respeito às taxas de nascidos vivos”, aponta Ramalho.

Segundo o ginecologista, a vitamina D tem sido estudada como parte de inúmeros processos fisiológicos e parece estar envolvida também nos mecanismos de regulação do açúcar e do colesterol e em doenças como endometriose, tumores ovarianos e de mama. Mas, em relação aos efeitos da vitamina D na fertilidade feminina, o médico afirma que os estudos ainda são pouco conclusivos. “A literatura carece de estudos bem desenhados que confirmem os benefícios do tratamento da deficiência de vitamina D em mulheres inférteis, sejam elas submetidas à fertilização in vitro ou não”, reforça. 

Sobre os benefícios da vitamina para as grávidas, o médico aponta possíveis efeitos positivos, mas faz ressalvas sobre o assunto. “É possível que a suplementação de vitamina D às mulheres grávidas reduza o risco de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, baixo peso ao nascimento, prematuridade e hemorragia pós-parto grave, mas, como mencionado para a infertilidade, também ainda estamos mais no plano das hipóteses que das conclusões”, explica. 

Síndrome dos ovários policísticos – Bruno Ramalho também observa que, a partir de mecanismos genéticos ou alterações no metabolismo da insulina, e com potencial interferência negativa sobre a fertilidade, baixos níveis vitamina D têm sido associados à origem da síndrome dos ovários policísticos. “Registros mostram que a deficiência de vitamina D pode acometer até 85% das mulheres com o problema e pode ser um fator preditor independente do sucesso reprodutivo naquelas mulheres quando submetidas à estimulação ovariana. Mas ainda há mais sugestões do que certezas. Não estou certo de que possamos fazer essa afirmação com os dados de que dispomos hoje”, pondera. 

O ginecologista também reforça a necessidade do bom senso na avaliação de pessoas com distúrbios reprodutivos. “Isso vale para vitamina D e para qualquer outra molécula estudada. Sabemos, de fato, que não há fórmulas mágicas e que a individualização deve ser a tônica na abordagem. Tanto para a infertilidade como para qualquer outra área de estudo da saúde humana”, conclui. 

Exposição – A Sociedade de Endocrinologia norte-americana define a deficiência de vitamina D quando o nível sanguíneo de 25-hidroxi-vitamina D3 é de 20 ng/mL ou menor; insuficiência para níveis entre 21 ng/mL e 29 ng/mL; e, ainda que o conceito de suficiência de vitamina D tenha sido estabelecido para níveis a partir de 30 ng/mL, a manutenção entre 40 ng/mL e 60 ng/mL parece ser considerada o estado ideal.

Por Fernanda Matos, Conversa – Estratégias de Comunicação Integrada

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