REVISTA DO CORREIO – A BUSCA PELA MATERNIDADE

15 de maio de 2018

REVISTA DO CORREIO BRAZILIENSE 13/05/18 – A busca pela maternidade

Ela e o marido, o economista Célio Melo, 56, optaram pela FIV e tiveram os gêmeos Caio e César, hoje com 8 anos. “Tivemos que assinar um contrato de que estávamos conscientes de todo o tratamento, inclusive de que, se não desse certo, teríamos que começar tudo de novo, pagando novamente”, relembra Mazzini.

“Assim que os embriões foram implantados, deixamos mais três congelados para caso a gravidez não desse certo. Assim, pelo menos a próxima tentativa seria mais rápida e com menos gastos, porque os remédios são caríssimos”, justifica. Os embriões ficaram congelados durante cinco anos e, em 2016, o casal fez o descarte deles. “Tudo feito com autorização, com reconhecimento de firma em cartório.”

O primeiro passo para quem decide pela fertilização artificial é justamente se informar. Segundo a médica ginecologista especialista em RA Hitomi Miura Nakagawa, as técnicas de reprodução assistida são regulamentadas pela Resolução 2168/2017 do Conselho Federal de Medicina (CFM).

A norma, de acordo com a médica, destaca a importância da RA, já que as mulheres estão postergando a maternidade e, com isso, há diminuição da probabilidade de engravidarem com o passar da idade. A resolução também diz que o avanço do conhecimento científico já permite solucionar vários casos de problemas de reprodução humana.

Limites legais 
Adelino Amaral Silva, médico da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, explica que, na hora de recorrer à RA, o pedido mais frequente é a escolha de sexo, mas isso não é permitido pela resolução do CFM. “A escolha de sexo é possível para diagnóstico de doenças ligadas ao sexo — hemofilia, por exemplo. As doações de espermatozoides, óvulos e embriões são feitas de forma anônima e totalmente sem remuneração.”

Hitomi acrescenta que ainda não há tecnologia confiável para a escolha do sexo do bebê pelas características do sêmen. “Quanto às demais características, a quase absoluta maioria dos casais seleciona os doadores de forma a serem as mais próximas das suas”, explica. “Quando se trata de um relacionamento homoafetivo de mulheres, a escolha é livre e determinada por elas”, explica.

A médica afirma que os interessados na RA, primeiramente, devem ser orientados sobre as técnicas disponíveis aplicáveis ao seu caso, os riscos e benefícios de cada opção e as chances de sucesso. “Também são pedidos alguns exames que descartem doenças transmissíveis para a prole.”

Após todos esses passos, na clínica escolhida, os interessados recebem as orientações sobre os procedimentos que virão — tudo por escrito —, optam pelos caminhos que desejam seguir, assim como assinam os contratos cabíveis ao tratamento.

Na prática
A clínica de reprodução assistida geralmente fornece endereços eletrônicos dos bancos de sêmen ativos disponíveis no Brasil e a pessoa interessada entra em contato com eles para selecionar e realizar o pedido. A médica Hitomi Miura Nakagawa explica que a reprodução assistida, na verdade, consiste em procedimentos que necessitam da manipulação de gametas ou embriões em laboratório. São três os tipos de RA (leia quado).

Segundo informações de algumas clínicas, tanto a fertilização in vitro quanto o congelamento de óvulos variam de acordo com o profissional e o laboratório escolhido. Mas, em média, o processo com os medicamentos pode ficar entre R$ 10 mil e R$ 15 mil, além da anuidade dos laboratórios, que varia de R$ 500 a R$ 1 mil.

De acordo com Hitomi, quando há possibilidade de sucesso para o tratamento, as pessoas podem fazer quantas tentativas estiverem dispostas a tentar. “Caso as possibilidades de êxito sejam inferiores a 5%, recomendam-se tratamentos alternativos à reprodução assistida.”

O médico Adelino Amaral Silva diz que, em sua clínica, realiza em torno de mil procedimentos por ano. “Houve um aumento de casais homoafetivos na procura pela RA, após a resolução do Conselho Federal de Medicina de 2010, que deixou claro o uso de técnicas de reprodução assistida para esse público.”

O especialista explica que o embrião congelado sobrevive por muito tempo. “Já existe nascimento de bebês provenientes de embriões congelados há 24 anos nos EUA. Estamos com uma gravidez de uma mulher que congelou o embrião há 18 anos”, relata.

Ele explica que há um termo de consentimento para os casais assinarem, no qual são esclarecidas as técnicas e seus resultados. “Há poucas demandas judiciais sobre reprodução assistida no Brasil. As maiores demandas são contra os planos de saúde para bancarem o tratamento”, destaca.

Os tipos de RA

Inseminação artificial: quando o sêmen é preparado para ser depositado no útero da mulher. O procedimento é realizado no período ovulatório, geralmente com estimulação por hormônios. É uma forma de tratamento que se aproxima mais de uma gestação natural.

Fertilização in vitro: alternativa de reprodução assistida para casos não solucionados por técnicas mais simples. A fertilização (junção do óvulo e espermatozoide) é realizada em laboratório e o embrião já formado é transferido para o útero da paciente.

Congelamento de óvulos: preservação da fertilidade. Após a avaliação da reserva de óvulos, que pode ser realizada por ultrassonografia e/ou dosagens hormonais, e a solicitação dos exames laboratoriais, procede-se a definição do protocolo de estimulação ovariana customizado, que geralmente se inicia no período menstrual. A captação dos óvulos é realizada sob sedação anestésica e os óvulos coletados, após estabilizados, em meio de cultivo específico, dentro de incubadoras vitrificadas a -196º C.

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